Joan Margarit – Às quatro da madrugada

Uiva o primeiro cão, e imediatamente
há um eco em um pátio, outros ressoam
ao mesmo tempo em um único latido,
acerbo, sem ritmo nenhum.
Ladram com seus focinhos levantados.
Oh, cães, de onde viestes?
Que manhã me evoca vossa noturna queixa?
Ouço como acossais o sonho de minha filha
de vosso catre, em meio aos excrementos
com os quais demarcastes um território
de becos, pátios, descampados.
Tal como venho fazendo
com meus poemas, de onde uivo
e demarco o território da morte.

Trad.: Nelson Santander

LAS CUATRO DE LA MADRUGADA

Aúlla el primer perro, y enseguida
hay un eco en un patio, otros resuenan
a la vez en un único ladrido,
bronco, sin ritmo alguno.
Ladran con sus hocicos levantados.
Oh, perros, ¿desde dónde habéis venido?
¿Qué mañana me evoca vuestra nocturna queja?
Oigo cómo acosáis al sueño de mi hija
desde vuestro jergón, entre excrementos
con los que habéis marcado un territorio
de callejones, patios, descampados.
Tal como vengo haciendo
con mis poemas, desde donde aúllo
y marco el territorio de la muerte.

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