Categoria: Javier Salvago
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Javier Salvago – Variações sobre um velho tema

Os violinos de Verlaine. Os sonhados caminhos da tarde, de don Antonio.* Um velho cheiro de campo. Um velho cheiro de lápis e cadernos. O céu cinzento. O vento entre as árvores. A carícia das primeiras chuvas. A tristeza sem causa. A solidão sonora. A noite, cada vez mais escura e prolongada. Um cigarro que,…
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Javier Salvago – Tesouro divino

A juventude passou.Tudo está bem quando acaba.Não voltaria a ser jovemnem que me pagassem. Começar a andar de novopelo caminho trilhadodos sonhos ilusóriose das verdades vagas? Começar de novocom as velhas batalhase suas velhas feridas?Voltar aos velhos hábitos, à noite, ao inferno,ao gosto pela vidamá? Fazer de tudoo que é comédia um drama? Voltar a…
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Javier Salvago – No verso de uma velha fotografia

Os Beatles ainda não tinham surgido, nem haviam abatido Che Guevara. Nat King Cole cantava ansiedad de tenerte en mis brazos ou solamente una vez se entrega el alma. e no cinema talvez exibissem Sete noivas para sete irmãos. O comandante Armstrong ainda não havia deixado sua profana pegada no rosto esburacado da lua. Os…
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Javier Salvago – Ano Novo

Como as coisas não podiam ficar pior – escreveu Kafka, em seu Diário – melhoraram. Como eu gostaria, ante este negro e inóspito horizonte que se abre, diante de mim – como mais um ano, ou como menos um ano -, de poder dizer o mesmo. Mas sinto que ainda não cheguei ao fundo, que…
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Javier Salvago – Um pouco mais sábios, um pouco mais cegos

Quando você não é mais jovem, se convence de que o diabo sabe mais porque é velho e admite que os anos nos ensinam a distinguir a realidade do sonho. Talvez não. Talvez a vida só se nos mostre uma vez – quando temos olhos para aprecia-la – e depois vamos esquecendo seu rosto e…
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Javier Salvago – Convém não esquecer

Por esta via que chamam vida, vamos com cautela devida, tal qual um cego. Mas em cinzas termina todo e qualquer fogo. Trad.: Nelson Santander Javier Salvago – Conviene no Olvidarlo Por esta senda, que llaman vida, todos vamos a tientas, igual que un ciego. En ceniza terminan todos los fuegos.
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Javier Salvago – Fim de Festa

Enfim sós, vida. A festa acabou e não há mais ninguém que possa nos obrigar a forçar sorrisos, ou a inventar incômodas mentiras piedosas. Todos sumiram. Despe-te sem medo. Conheço as velhas rugas de tua carne triste. Acariciei-as. Sei o que teu rosto oculta por baixo da maquiagem. Enfim sós, vida. A casa em silêncio…

