Mês: setembro 2023
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José María Zonta – Não entres como turista no coração de uma mulher

“Não entres como turista no coração de uma mulher”, um poema de José María Zonta que transforma o amor em território sagrado, exigindo entrega autêntica e cuidado diante da vulnerabilidade do outro.
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Jesús Jiménez Domínguez – A Ponte no Nevoeiro

Detenho-mea meio do caminhoe ouço. Num extremoaquele que fui grita-me:Espera-me! No outro,aquele que serei sussurra-me:Segue-me. E a ponte, eterna,não aguenta o peso dos três. Trad.: Maria Sousa REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 04/10/2018 El Puente en la Niebla Me detengoa mitad del recorridoy escucho. En un extremoaquel que fui me grita:¡Espérame! En el…
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Ann Fischer-Wirth – Milagre de um coração sagrado e três folhas de faia, cada uma machada de verde e carmesim

“Milagre de um coração sagrado e três folhas de faia”, um poema de Ann Fischer-Wirth que resgata, na matéria frágil do envelhecer, a persistência luminosa da identidade e da ternura.
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Chico Amaral e Samuel Rosa – As Noites
As ruas desse lugarConhecem bemAs noites longas, as noites pálidasQuando eu te procurava As casas desse lugarSe lembrarãoDo nosso abraço, da sombra insólitaEspelho azul no chão As ruas desse lugarAgora eu seiSempre escutaram a nossa músicaQuando eu te respirava As pedras municipaisSe impregnaramDa dupla imagem, da dupla solidão,A sombra ali no chão E, lá no…
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Fady Joudah – Mimesis

Minha filha não faria mal a uma aranhaQue se aninhouEntre as manoplas de sua bicicletaPor duas semanasEla esperouAté que a aranha fosse embora por conta própria Se você desfizera teia eu disseEla simplesmente vai saberQue este não é um lugar que possa chamar de larE você poderia sair para pedalar Ela disse é assim que…
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Pierre de Ronsard – Quando fores bem velha…

Quando fores bem velha, à noite junto à vela,Sentada ao pé do fogo, enovelando e fiando,Dirás, cantando os versos meus e te enlevando:“Ronsard me celebrava ao tempo em que era bela”.Então nem haverá, ouvindo o recital,Serva, ao fim do trabalho e semi-sonolenta,Que, com som do meu nome, não desperte atentaA saudar o teu nome em…
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Otto D’Sola – Plenitude

Da formiga à estrela mais alta, fomos capazes de tecer uma longa história que nunca acabará;da rocha aos pinhais,dos pântanos ao berço de um tênue vento recém-nascido, fomos capazes de dar ao solo duro e seco a alegria de contemplar uma estrela e uma flor aberta. Permeada de canções, beijos e mariposas, nossa história é…
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Joan Margarit – Era Rubra

A Àlex Susanna Levaste tanto tempo para aprenderque chegas tarde ao grande amor:nunca viveste uma era de ouro.As rosas de Ronsard*jamais perfumarão teu olhar,nenhum outono desfolharámorosas pétalas nos braços de ninguém.Com negligência ocultas os espelhoscomo se fazia nas casasonde havia um defunto.Não voltam as mulheres com as quaistrocaste anos de solidãopor um fugaz momento de…
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Jane Mead – Eu me pergunto se sentirei falta do musgo

Quando eu voar para longe, me perguntose sentirei falta do musgo como agora sinto,só de pensar em partir. Havia pedras de muitas cores.Havia gravetos hospedandolíquen e musgo.Havia portões vermelhos com antiquadasferragens forjadas à mão.Havia campos de capim secocom o cheiro das primeiras chuvase então de lama fresca. Havia lama,e havia a caminhada,toda a bela caminhada,e…
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Joan Margarit – A partida
Definitivamente, este é o meu Outono,um tempo de alianças impossíveis,a era rubra de todos os perigospara homens maduros e mulheres solitárias.A era do adultério e da desmemóriasem nenhuma esperança, a era do gelo,a partida final contra mim mesmo.Permaneço à mesa, sem esperar pela sorte,já não há chances neste jogo.É o tempo de jogar paciênciacom as…