Tag: Morte
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Cassiano Ricardo – 2ª Aula na Jaula

1 Ícaro morreu,não por voar junto ao Sol mas de obsoleto pelos robôs levadoem seu caixão preto os mitos de hojeconversam comigo na rua.Convidam-me a assis- tir a Antonioni no cinemaem plena iconosfera. Tudo o que foi ontem é outra era. 2No Jardim Zoológicouma Lua presa numa enorme jaula de vidro. Com todas as crateras…
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Algernon Charles Swinburne – O Jardim de Proserpina

Leia “O Jardim de Proserpina”, de Algernon Charles Swinburne, um clássico da poesia vitoriana sobre morte, esquecimento e o anseio pelo repouso eterno.
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Carlos Drummond de Andrade – Morte das Casas de Ouro Preto

Sobre o tempo, sobre a taipa, a chuva escorre. As paredes que viram morrer os homens, que viram fugir o ouro, que viram finar-se o reino, que viram, reviram, viram, já não vêem. Também morrem. Assim plantadas no outeiro, menos rudes que orgulhosas na sua pobreza branca, azul e rosa e zarcão, ai, pareciam eternas!…
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Janus Vitalis – Sobre Roma

Recém-chegado que, buscando Roma em Roma, não encontras, em Roma, Roma alguma, olha ao redor, muro e mais muro, pedras rotas, ruínas, que assustam, de um teatro imenso: é Roma isto que vês – cidade tão soberba, que ainda exala ameaças seu cadáver. Vencido o mundo, quis vencer-se e, se vencendo, para que nada mais…
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Domingos Carvalho da Silva – Mensagem

Longe, muito longe, um país nos contempla. Um país de silício e saibro, de água salgada e sol Onde os peixes não chegam, os corvos não assistem. Onde os náufragos se afogam no incêndio do solitário dia eterno. Longe, muito longe, onde a areia reflete as escamas da lua; onde só os mortos vão beijar…
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Thiago de Mello – O Morto

Qual a verdade que o morto conheceu, além dos muros, e lhe fez cerrar os lábios estrangulando a palavra porventura essencial? Enfim livre da cegueira, que paisagem contemplou para que o rosto lhe turve tão rude ruga de mágoa? Soube talvez que melhor fora mostrar-se de todo: desvelar inteira a face, seus amores e seus…
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Carlos Drummond de Andrade – Noturno Oprimido

A água cai na caixa com uma força, com uma dor! A casa não dorme, estupefata. Os móveis continuam prisioneiros de sua matéria pobre, mas a água parte-se a água protesta. Ela molha toda noite com sua queixa feroz, seu alarido. E sobre nossos corpos se avoluma o lago negro de não sei que infusão.…
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Cassiano Ricardo – Gramática Visual de Cristo

1 “Cristo, terá sido em vão teu sacri- fício? vê, o sangue escorre, acre, no massacre das ruas.” Cristo espalmou a mão cobrindo os olhos horizontalmente pra não ver a destruição do ser 2 “Cristo, vê os pequeninos que tanto amaste agora garotos nos becos como ratos dentro de sapatos rotos.” Cristo escondeu, de novo,…
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Cassiano Ricardo – O Festim Terrestre

O olho de Polifemo já depois de arrancado ao gigante bêbado, foi posto, entre rosas carnosas e lírios agudos, sobre a alva mesa. Tinha ainda a pupila acesa. E os doze convivas, — doze fomes irmãs, — todos ao mesmo tempo, simultâneos como figuras de uma orquestra, vieram, graves, comer o olho de Polifemo, em…
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José Paulo Paes – Revisitação

Cidade, por que me persegues? Com os dedos sangrando já não cavei em teu chão os sete palmos regulamentares para enterrar meus mortos? Não ficamos quites desde então? Por que insistes em acender toda noite as luzes de tuas vitrinas com as mercadorias do sonho a tão bom preço? Não é mais tempo de comprar.…