Tag: Morte
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Paulo Henriques Britto – “Da metafísica”

Ser parte de alguém ou algotão grande que não se entenda:toda crença, ao fim e ao cabo,se resume a essa lenda – o mais rematado dislate,coisa jamais entendida,que eleva ao sumo quilateo caco mais reles de vida. REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 04/11/2018
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Laura Gilpin – Vida após a morte

O que eu sei:como os vivos seguem vivendoe como os mortos seguem vivendo com eles Assim, em uma floresta,mesmo uma árvore morta projeta uma sombrae as folhas caem uma a umae os galhos se partem com o ventoe a casca se desprende lentamentee o tronco se rachae a chuva se infiltra através das rachadurase o…
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Alfonsina Storni – Leva-me

Quero esquecer que vivo: leva-me a algum lugar;Ata-me a tua alma; a alva a brilhar. Colhe-me entre tuas mãos como em um branco casuloE mostra-me aos deuses com glória e com orgulho. Leva-me! É uma noite muito escura e sombria!…A morte caça pelo mundo tal qual harpia. Faz-me esquecer o peso que carrego nos ombrosEssa…
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Stanley Kunitz – Cometa de Halley

A srta. Murphy, da primeira série,escreveu o nome dele no quadro negrocom giz e nos contou que eleviajava rugindo pelas trajetórias de tempestadesda Via Láctea a uma velocidade aterrorizante,e que se ele desviasse do seu curso e colidisse com a terranão haveria aula no dia seguinte.Um pregador das colinas, de barba ruivae com uma expressão…
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Jane Mead – Eu me pergunto se sentirei falta do musgo

Quando eu voar para longe, me perguntose sentirei falta do musgo como agora sinto,só de pensar em partir. Havia pedras de muitas cores.Havia gravetos hospedandolíquen e musgo.Havia portões vermelhos com antiquadasferragens forjadas à mão.Havia campos de capim secocom o cheiro das primeiras chuvase então de lama fresca. Havia lama,e havia a caminhada,toda a bela caminhada,e…
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Meghan O’Rourke – Erro não forçado

Antes: aqueles longos e úmidos verões em Vermont.Sem dinheiro, nada para fazer além de ler livros, nadarno rio com homens de shorts jeans,e depois jogar bingo fora da igreja, comemorando quando ganhávamos.Nada parecia real e tudo aquilo era tão vivo.Levei todo esse tempo para aprender o quanto eu estava errada —além da linha do horizonte…
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Sharon Olds – Minha mão

Quando olho para a minha mão, e para o dorso do meu pulso,brilhando com o petrolato que esfreguei em suas fissuras — óleo mineral,ceresina, lanolina, pantenol, glicerina,bisabolol, vejo as rugasfinas, muitas formando losangos,algumas delas longas ondulações de cicatrizes —ela me parece comovente, e afortunada. E eu gostodas veias salientes do dorso da minha mão.Faço parte…
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Tess Gallagher – Escolhas

Dirijo-me para o lado da casa de onde se vêa montanha, a fim de aparar as árvores novase desobstruir a vista para a neve sobre as serras. Mas quando olho para cima,serrote na mão, vejo um ninho agarradoaos galhos mais altos.Não corto esta.E também não corto as demais.De repente, em cada árvore,um ninho invisívelonde uma…
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Ruy Belo – Através da chuva e da névoa

Chovia e vi-te entrar no marlonge de aqui há muito tempo jáó meu amor o teu olharo meu olhar o teu amorMais tarde olhei-te e nem te conheciaAgora aqui relembro e pergunto:Qual é a realidade de tudo isto?Afinal onde é que as coisas continuame como continuam se é que continuam?Apenas deixarei atrás de mim tubos…
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Mary Oliver – Chumbo

Eis uma históriade partir o seu coração.Quer ouvi-la?Neste inverno, os mergulhões pousaram em nossa enseadae morreram, um por um,de nada que conseguíssemos ver.Um amigo me contousobre um na costaque ergueu a cabeça, abriuseu elegante bico e gritouno longo e doce deleite de sua vida,grito que, se você já ouviu,sabe que é uma coisa sagrada,e pelo…