Tag: Amor
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Otto D’Sola – Plenitude

Da formiga à estrela mais alta, fomos capazes de tecer uma longa história que nunca acabará;da rocha aos pinhais,dos pântanos ao berço de um tênue vento recém-nascido, fomos capazes de dar ao solo duro e seco a alegria de contemplar uma estrela e uma flor aberta. Permeada de canções, beijos e mariposas, nossa história é…
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Cheryl Pearson – Encantamento de proteção para um amado

Você sai com o carro em uma noite chuvosa,e minha mente corre solta. Bêbados. Pista escorregadia.Um corpo sob um lençol à beira da estrada. Eu te digo:Tenha cuidado. O que quero dizer é: Eu te amo,não vá embora. Eu quero você quente e descontente.O rejunte entre os ladrilhos do banheiro está lascando;a umidade na cozinha…
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Sharon Olds – Minha mão

Quando olho para a minha mão, e para o dorso do meu pulso,brilhando com o petrolato que esfreguei em suas fissuras — óleo mineral,ceresina, lanolina, pantenol, glicerina,bisabolol, vejo as rugasfinas, muitas formando losangos,algumas delas longas ondulações de cicatrizes —ela me parece comovente, e afortunada. E eu gostodas veias salientes do dorso da minha mão.Faço parte…
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Ruy Belo – Através da chuva e da névoa

Chovia e vi-te entrar no marlonge de aqui há muito tempo jáó meu amor o teu olharo meu olhar o teu amorMais tarde olhei-te e nem te conheciaAgora aqui relembro e pergunto:Qual é a realidade de tudo isto?Afinal onde é que as coisas continuame como continuam se é que continuam?Apenas deixarei atrás de mim tubos…
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Rui Caeiro – [Fica e é só o que fica]
![Rui Caeiro – [Fica e é só o que fica]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2023/02/jhp-50.jpg)
Fica e é só o que fica: o primeiro encontroo primeiro beijo numa gare desertao mar por líquida ou aérea testemunha depois a longa gestação do adeusúnico e verdadeiro adeuso subtil envenenamento da memória
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Manuel António Pina – Amor como em Casa

“Amor como em Casa”, um poema de Manuel António Pina que retrata o amor como um regresso íntimo e familiar, onde a saudade, os gestos cotidianos e a ternura constroem a sensação de entrar no sentimento como quem volta para casa.
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Joan Margarit – Despedida

Retirei tapetes e cortinas,todas as mesas onde há temposnão como nem escrevo.Removi os quadros e pintei as paredespara apagar os vestígios dos anos.Guardo alguns poucos livros. Sei bem quais.Destruícartas de amor que não me amavam mais.Silenciosos agora, os amoressão icebergs errantes do pensar.A casa, sem recantos para o medo,deixa meus olhos mais desnudos.Nada, nem a…
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Assionara Souza – A Mulher de Lot

Um passo atrásEnquanto a cidade desabaTodos correndoUm tumulto dos diabosO filho, a filha, o maridoA vizinha da frente — com quem o infeliz tem fornicadoHá mais de cinco anos embaixo de seu narizComo se ela não soubesseComo se ela não tivesse visto de tudo nessa vidaEle perguntando se a camisa vermelha— Aquela com um só…
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Thomas Lux – “Ti amo Coração”

“Ti amo Coração”, um poema de Thomas Lux que retrata um homem que arrisca a própria vida para declarar seu amor em público, explorando o caráter tolo, ardente e perigoso da paixão como expressão extrema e abençoada do sentimento amoroso.
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Thom Gunn – O atiçador

Quarenta e oito anos atrás —Já se passaram mesmo quarenta e oito anosDesde então?— eles forçaram a portaQue ela havia barricadoCom o peso de uma escrivaninha inteiraPara que ninguém descobrisse, como eles descobriram,o que ela havia bloqueado. Ela havia bloqueado a portaPara manter as crianças do lado de fora.Em seu roupão vermelho,Ela fizera anotações, ocupada…