Tag: desejo
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Armando Freitas Filho – Sibilante

Cego aço doce corte de navalha ou de folha de papel: só sangra bem depois da ação, da posse do sentido e sentimento que o amor concede não isento do ciúme.
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Eucanaã Ferraz – Sob a luz feroz do teu rosto

“Sob a luz feroz do teu rosto”, um poema de Eucanaã Ferraz que transforma o amor impossível em metáfora selvagem: amar é desejar o que não pode ser tocado sem risco ou recusa.
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Paulo Henriques Britto – Geração Paissandu

Vim, como todo mundo do quarto escuro da infância, mundo de coisas e ânsias indecifráveis, de só desejo e repulsa. Cresci com a pressa de sempre. Fui jovem, com a sede de todos, em tempo de seco fascismo. Por isso não tive pátria, só discos. Amei, como todos pensam. Troquei carícias cegas nos cinemas, li…
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Konstantinos Kaváfis – A Origem

“A Origem”, um poema de Konstantinos Kaváfis que revela como o instante clandestino do desejo se transmuta, no tempo, em matéria secreta da poesia.
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Paulo Henriques Britto – De “Bonbonnière”

I A seletividade da memória — a cor exata da pele, a textura, o odor de cada côncavo e orifício, o lábio, a língua, o dente, o plexo solar, a sola do pé, o suor e a saliva, a coxa arisca, a dobra escura, o beijo salobro, o sabor difícil, a carne assombrada, o esperma…
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Paulo Henriques Britto – De “Duas Bagatelas”

II Então viver é isso, é essa obrigação de ser feliz a todo custo, mesmo que doa, de amar alguma coisa, qualquer coisa, uma causa, um corpo, o papel em que se escreve, a mão, a caneta até, amar até a negação de amar, mesmo que doa, então viver é só esse compromisso com a…
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Ferreira Gullar – Os Mortos

os mortos vêem o mundo pelos olhos dos vivos eventualmente ouvem, com nossos ouvidos, certas sinfonias algum bater de portas, ventanias Ausentes de corpo e alma misturam o seu ao nosso riso se de fato quando vivos acharam a mesma graça
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Carlos Drummond de Andrade – Fragilidade

Este verso, apenas um arabesco em torno do elemento essencial – inatingível. Fogem nuvens de verão, passam aves, navios, ondas, e teu rosto é quase um espelho onde brinca o incerto movimento, ai! já brincou, e tudo se fez imóvel, quantidades e quantidades de sono se depositam sobre a terra esfacelada. Não mais o desejo…
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Mário Chamie – Fantasma

Um fantasma ausente põe tijolo sobre tijolo ao seu redor. Primeiro mede o terreno Divide o espaço. Calca com o pé a planta que não floresce. Mas que cresce sob estacas de cimento. Depois, a ausência se preenche. O fantasma move a cal, a pedra, a pá. O fantasma move o corpo já presente do…
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Eugénio de Andrade – Quase Epitáfio

O outro sabia. Tinha uma certeza. Sou eterno, dizia. Eu não tenho nada. Amei o desejo com o corpo todo. Ah, tapai-me depressa. A terra me basta. Ou o lodo.