Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Eduardo Alves da Costa – No Caminho, com Maiakóvski

Assim como a criançahumildemente afagaa imagem do herói,assim me aproximo de ti, Maiakósvki.Não importa o que me possa acontecerpor andar ombro a ombrocom um poeta soviético.Lendo teus versos, aprendi a ter coragem. Tu sabes,conheces melhor do que eua velha história.Na primeira noite eles se aproximame roubam uma flordo nosso jardim.E não dizemos nada.Na segunda noite,…
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Carlos Drummond de Andrade – Tu? Eu?
Não morres satisfeito.A vida te viveusem que vivesses nela.E não te convenceunem deu motivopara haver o ser vivo. A vida te venceuem luta desigual.Era todo o passadopresente presidentena polpa do futuroacuando-te no beco.Se morres derrotado,não morres conformado. Nem morres informadodos termos da sentençade tua morte, lidaantes de redigida.Deram-te um defensorcego surdo estrangeiroque ora metia medoora…
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Carlito Azevedo – Vida: Efeito-V (excertos)

Alguns poemas do livro “Vida: Efeito-V”, de Carlito Azebedo
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Cassiano Ricardo – Os Futuricidas

Sois o Bloco dos Suicidas.Paradoxo pensar que todo suicí- dio será a morte de Deus em nós. Nós não. Vamos salva-l’Oda hecatombe em que, afinal, tudo tombe.Nós O queremos vivo e salvo mesmo escanhoado dequalquer ornamento, pluma ou liturgia. Calvo.Sem nenhum arco-íris na cabeça ou púrpura.Não esquartejado numa vila ricaou atado ao rabo de um…
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Cassiano Ricardo – 2ª Aula na Jaula

1 Ícaro morreu,não por voar junto ao Sol mas de obsoleto pelos robôs levadoem seu caixão preto os mitos de hojeconversam comigo na rua.Convidam-me a assis- tir a Antonioni no cinemaem plena iconosfera. Tudo o que foi ontem é outra era. 2No Jardim Zoológicouma Lua presa numa enorme jaula de vidro. Com todas as crateras…
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Carlos Drummond de Andrade – Morte das Casas de Ouro Preto

Sobre o tempo, sobre a taipa,a chuva escorre. As paredesque viram morrer os homens,que viram fugir o ouro,que viram finar-se o reino,que viram, reviram, viram,já não vêem. Também morrem. Assim plantadas no outeiro,menos rudes que orgulhosasna sua pobreza branca,azul e rosa e zarcão,ai, pareciam eternas!Não eram. E cai a chuvasobre rótula e portão. Vai-se a…
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Ferreira Gullar – Anoitecer em Outubro

A noite cai, chove manso lá fora meu gato dorme enrodilhado na cadeiraNum dia qualquer não existirá mais nenhum de nós doispara ouvir nesta salaa chuva que eventualmente caia sobre as calçadas da rua Duvivier REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 23/02/2016
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Ferreira Gullar -Aprendizado

Do mesmo modo que te abriste à alegria abre-te agora ao sofrimentoque é fruto delae seu avesso ardente. Do mesmo modo que da alegria foste ao fundo e te perdeste nela e te achaste nessa perda deixa que a dor se exerça agorasem mentirasnem desculpas e em tua carne vaporize toda ilusão que a vida…
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Carlos Drummond de Andrade – Carta

Bem quisera escrevê-lacom palavras sabidas,as mesmas, triviais,embora estremecessema um toque de paixão.Perfurando os obscuroscanais de argila e sombra,ela iria contandoque vou bem, e amo sempree amo cada vez maisa essa minha maneiratorcida e reticente,e espero uma resposta,mas que não tarde; e peçoum objeto minúsculosó para dar prazera quem pode ofertá-lo;diria ela do tempoque faz do…
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Nelson Santander – Pontuação

“Pontuação”, um poema de Nelson Santander que transforma o instante banal da colisão em vírgula sangrenta da existência — e revela, entre linguagem e silêncio, que até os erros gramaticais podem ser vestígios da morte.