Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Cassiano Ricardo – As Andorinhas de Antonio Nobre

—Nos—fios—tensos —da—pauta—de me-tal —as— an/do/ri/nhas—gri-tam —por—fal/ta/—de u-ma—cl’a-ve—de—sol REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 26/03/2016
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Cassiano Ricardo – Dedicatória

I Ao claro tempo, ao tempodas metamorfoses,não havia horizontena alegria do sere do acontecer. Havia a graça aéreacom que as coisas brincavamde ser e de não ser,no jardim da matéria. Hoje uma coisa passaa ser outra coisa;nascem anjos sem asadentro do dicionário;um monstro, um dragãoem lugar de um canário.Não pela alegriada metamorfose.Mas por deformaçãode cada…
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Cassiano Ricardo – O hipopótamo

Não adianta o rio lhe ofertar um espelho,se ele não sabe de quem é a imagemque o espelho reflete. Se ele pensa que a suaimagem n’água é a de um outro hipopótamo. A paisagem por volta tem algo de bíblicopois é a água da criação, ainda viva,como no primeiro dia. As árvores folhudasguardam segredos a…
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Carlos Drummond de Andrade – Declaração em Juízo

Peço desculpas de sero sobrevivente.Não por longo tempo, é claro.Tranqüilizem-se.Mas devo confessar, reconhecerque sou sobrevivente.Se é triste/cômicoficar sentado na platéiaquando o espetáculo acaboue fecha-se o teatro,mais triste/grotesco é permanecer no palco,ator único, sem papel,quando o público já virou as costase somente baratascirculam no farelo. Reparem: não tenho culpa.Não fiz nada para sersobrevivente.Não roguei aos altos…
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Carlos Drummond de Andrade – Morte no Avião

Acordo para a morte.Barbeio-me, visto-me, calço-me.É meu último dia: um diacortado de nenhum pressentimento.Tudo funciona como sempre.Saio para a rua. Vou morrer. Não morrerei agora. Um diainteiro se desata à minha frente.Um dia como é longo. Quantos passosna rua, que atravesso. E quantas coisasno tempo, acumuladas. Sem reparar,sigo meu caminho. Muitas facescomprimem-se no caderno de…
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Carlos Drummond de Andrade – Uma Hora e mais Outra

Há uma hora tristeque tu não conheces.Não é a da tardequando se diriabaixar meio gramana dura balança;não é a da noiteem que já sem luza cabeça cobrescom frio lençolantecipando outromais gelado pano;e também não é ado nascer do solenquanto enfastiadoassistes ao diaperseverar no câncer,no pó, no costume,no mal divididotrabalho de muitos;não a da comidahora mais…
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Carlos Drummond de Andrade – Coisa Miserável

Coisa miserável,suspiro de angústiaenchendo o espaço,vontade de chorar,coisa miserável,miserável. Senhor, piedade de mim,olhos misericordiosospousando nos meus,braços divinoscingindo meu peito,coisa miserávelno pó sem consolo,consolai-me. Mas de nada velegemer ou chorar,de nada valeerguer as mãos e olhospara um céu tão longe,para um Deus tão longeou, quem sabe? para um céu vazio. É melhor sorrir(sorrir gravemente)e ficar caladoe…
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Carlos Drummond de Andrade – Versos à Boca da Noite

Sinto que o tempo sobre mim abatesua mão pesada. Rugas, dentes, calva.Uma aceitação maior de tudo,e o medo de novas descobertas. Escreverei sonetos de madureza?Darei aos outros a ilusão de calma?Serei sempre louco? Sempre mentiroso?Acreditarei em mitos? Zombarei do mundo? Há muito suspeitei o velho em mim.Ainda criança, já me atormentava.Hoje estou só. Nenhum menino…
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Manuel Bandeira – O Rio

Ser como o rio que defluiSilencioso dentro da noite.Não temer as trevas da noite.Se há estrelas nos céus, refleti-las.E se os céus se pejam de nuvens,Como o rio as nuvens são água,Refleti-las também sem mágoaNas profundidades tranquilas. REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 01/03/2016
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Ana Martins Marques – Finados

Leia “Finados”, de Ana Martins Marques, um poema comovente sobre luto, memória, infância e as formas pelas quais os mortos permanecem entre nós.