Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
-
Amadeu Amaral – Névoa

Tudo isto há de passar, decerto, muito em breve… Branca névoa sutil, ir-se-á quando o sol nasça; branco sonho de amor, passará, como passa pelas ondas em fúria uma garça de neve. Passará dentro em pouco, imitando a fumaça que se evola e se esvai nas curvas que descreve. Fumaça de ilusão, força é que…
-
Lêdo Ivo – Epitalâmio

A terra cessa de girar, para que eu te ame. Não há mais Dia e Noite, meu amor. Somos hóspedes do impossível. Tudo é verdade e as horas irrompem como vulcões. O mar não clama, embora ainda exista. Para os que amam, como nós, as rotações foram abolidas, os séculos assumem a forma de um…
-
Domingos Carvalho da Silva – Mensagem

Longe, muito longe, um país nos contempla. Um país de silício e saibro, de água salgada e sol Onde os peixes não chegam, os corvos não assistem. Onde os náufragos se afogam no incêndio do solitário dia eterno. Longe, muito longe, onde a areia reflete as escamas da lua; onde só os mortos vão beijar…
-
Thiago de Mello – O Morto

Qual a verdade que o morto conheceu, além dos muros, e lhe fez cerrar os lábios estrangulando a palavra porventura essencial? Enfim livre da cegueira, que paisagem contemplou para que o rosto lhe turve tão rude ruga de mágoa? Soube talvez que melhor fora mostrar-se de todo: desvelar inteira a face, seus amores e seus…
-
Walderez C. Gomes – Eu te amei…

Eu te amei Amando-me em ti. E de tanto amor em ti fui convertida sem ser eu mesma sendo tu. Olhando-me assim dividida. Eu me enterrei de amor amando-me mais quanto menos em mim fui conhecida quanto mais em ti fui consumada.
-
Angela Leite de Souza – Do Lado de Cá Dessas Rosas

Nem percebi quando me cobriram com esta colcha rosa de rosas amorosamente. Dormia meu novo sono sem tranqulizantes, sem relógios: estou serena e não há pressa em acordar. Ser apenas, estar. Não me roem mais tristezas nem desejos, lateja leve leve uma saudade. Meu corpo vai não sendo, sou feliz. Livre do dever de viver e…
