Categoria: Poema
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Antonio Cicero – Cidade

Para Arthur Nestrovsky Lembro que o futuro era uma cidade nebulosa da qual eu esperava tudo e que, sendo uma cidade, nada esperava de ninguém. Ah, cidade sonhada de avenidas macadâmicas, turbas febris e prédios de granito: o que era que eu perdera e que, perdido e em cacos, buscava nas tuas áridas calçadas e…
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Antonio Cicero – Virgem
Música: Marina Lima As coisas não precisam de você:Quem disse que eu tinha que precisar?As luzes brilham no VidigalE não precisam de você;Os Dois IrmãosTambém não.O Hotel Marina quando acendeNão é por nós doisNem lembra o nosso amor.Os inocentes do Leblon,Esses nem sabem de vocêNem vão querer saberE o farol da Ilha só gira agoraPor…
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Jorge Wanderley – Acerto de Contas

quando a geração de meu pai batia na minha a minha achava que era normal que a geração de cima só podia educar a de baixo batendo quando a minha geração batia na de vocês ainda não sabia que estava errado mas a geração de vocês já sabia e cresceu odiando a geração de cima …
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Carlos Drummond de Andrade – Fragilidade

Este verso, apenas um arabesco em torno do elemento essencial – inatingível. Fogem nuvens de verão, passam aves, navios, ondas, e teu rosto é quase um espelho onde brinca o incerto movimento, ai! já brincou, e tudo se fez imóvel, quantidades e quantidades de sono se depositam sobre a terra esfacelada. Não mais o desejo…
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Carlos Drummond de Andrade – Ontem

Até hoje perplexo ante o que murchou e não eram pétalas. De como este banco não reteve forma, cor ou lembrança. Nem esta árvore balança o galho que balançava. Tudo foi breve e definitivo. Eis está gravado não no ar, em mim, que por minha vez, escrevo, dissipo.
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Carlos Drummond de Andrade – Viagem na Família

A Rodrigo M.F. de Andrade No deserto de Itabira a sombra de meu pai tomou-me pela mão. Tanto tempo perdido. Porém nada dizia. Não era dia nem noite. Suspiro?…
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Carlos Drummond de Andrade – A Noite Dissolve os Homens

A noite desceu. Que noite! Já não enxergo meus irmãos. E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam. A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate, nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total incompreensão. A noite caiu. Tremenda, sem esperança… Os suspiros acusam a presença negra que…
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Carlos Drummond de Andrade – Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.…
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Carlos Drummond de Andrade – Inocentes do Leblon

Os inocentes do Leblon não viram o navio entrar. Trouxe bailarinas? trouxe imigrantes? trouxe um grama de rádio? Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram, mas a areia é quente, e há um óleo suave que eles passam nas costas, e esquecem. Conheça outros livros de Carlos Drummond de Andrade clicando aqui
