Joan Margarit – Pai e filha

Diante das janelas que se abrem para o pátio
ele adormeceu na poltrona,
ao lado do sofá onde ela descansava.
O jovem rosto
que a morfina havia endurecido,
tinha aos poucos deixado seu sorriso
no ontem que guardam os retratos.
À noite, ele a carregou para o quarto,
colocou-a para dormir e fechou as persianas.

E se deu conta, diante do sofá vazio,
de que não tinha,
de que nunca teria
lembranças suficientes para fingir a vida.

Trad.: Nelson Santander

PADRE E HIJA

Ante los ventanales que se abren al patio
él se dormía en la butaca,
junto al sofá donde ella descansaba.
El joven rostro
que la morfina había endurecido,
había ido dejando su sonrisa
en el ayer que guardan los retratos.
De noche la subía al dormitorio,
la acostaba y cerraba los postigos.

Se daba cuenta, ante el sofá sin nadie,
de que no le quedaban,
de que nunca le iban a quedar
suficientes recuerdos para fingir la vida.

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