Mês: julho 2022
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Anne Sexton – Coragem

É nas pequenas coisas que a vemos.O primeiro passo da criança,tão espantoso quanto um terremoto.A primeira vez que você andou de bicicleta,tateando na calçada.A primeira palmada, quando seu coraçãopartiu em uma viagem sozinho.Quando eles o chamaram de bebezãoou pobre ou gordo ou doidoe o transformaram num alienígena, você sorveu o ácido delese o escondeu. Mais…
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José Ángel Buesa – Ela amará a outro homem

“Ela amará a outro homem”, um poema de José Ángel Buesa que aceita a perda com resignação, mas afirma a permanência secreta do amor na memória que o tempo não consegue apagar.
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Rosanna Warren – Comparação

Como quando seu amigo, excelente esquiador austríaco, na históriaque ela sempre nos contava, teve que encararseu primeiro salto olímpico de esqui e, darampa de largada sobre o desfiladeiro que mergulhavatão vertiginosamente que sua borda inferiordesaparecia de vista, olhoupara um horizonte de Alpes que nadava e balançava ao seu redorcomo barcos de brinquedo em uma banheira,…
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Wislawa Szymborska – As Cartas dos Mortos

Lemos as cartas dos mortos como deuses impotentes,mas deuses assim mesmo, porque conhecemos as datas posteriores.Sabemos quais dívidas não foram pagas.Com quem as viúvas rapidamente se casaram.Pobres mortos, mortos cegos,enganados, falíveis, canhestramente previdentes.Vemos as caretas e os sinais feitos pelas costas.Capturamos o som de testamentos sendo rasgados.Sentados comicamente diante de nós como no pão com…
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Annie Dillard – Como consumimos nossos dias

Como consumimos nossos diasé, evidentemente,como consumimos nossas vidas. O que fazemos com esta hora,e com aquela,é aquilo que fazemos. Um calendárioprotege do caos e do arbítrio. É uma redepara capturar dias.É um andaime sobre o qual um trabalhadorpode ficar em pée laborar com ambas as mãos em espaços de tempo.Um calendário é uma maqueteda razão…
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Wislawa Szymborska – Bodas de Ouro

Devem ter sido diferentes um dia,fogo e água, diferindo com veemência,sequestrando e se doandono desejo, no assalto à dessemelhança.Abraçados, apropriaram-se e expropriarampor tanto tempo,que nos braços restou o artranslúcido depois do relâmpago. Um dia a resposta antecipou a pergunta.Uma noite adivinharam a expressão do olhar do outropelo tipo de silêncio, no escuro. O sexo fenece,…
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Ada Limón, poeta laureada

Ada Limón, uma legítima representante da novíssima geração de poetas norte-americanos, e de quem venho traduzindo alguns poemas para o blog desde 2020, acaba de ser eleita a nova poeta laureada dos Estados Unidos, a comenda de maior prestígio do campo da poesia daquele país. O cargo de poeta laureado – que tradicionalmente é conferida…
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Jim Harrison – Água

Antes de nascer eu era água.Pensei nisso sentado em uma cadeiraazul cercado por malvas rosas, vermelhas,e brancas no jardim em frenteao meu estúdio verde. Há conclusões aquia tirar, mas eu não posso mais fazer isso. O homem nasce, cresce, canta, dança, ama, envelhece,agoniza. Isto é um rio circulare nós somos seus peixes que se tornam água. Trad.:…
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Wislawa Szymborska – Natureza-morta com um Balãozinho

Em vez da volta das lembrançasna hora de morrerquero ter de voltaas coisas perdidas. Pela porta, janela, malas,sombrinhas, luvas, casaco,para que eu possa dizer:Para que tudo isso. Alfinetes, este e aquele pente,rosa de papel, barbante, faca,para que eu possa dizer:Nada disto me faz falta. Esteja onde estiver, chave,tente chegar a tempo,para que eu possa dizer:Ferrugem,…
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Eavan Boland – Cartas aos mortos

I Estudiosos do Império Antigo encontraram cerâmicasgravadas por toda parte com marcas e sinais. II Escritos em louças de lodo. Nas bordas dos vasos.Colocados na entrada dos túmulos.O vermelho do ferro de um mundo.Postado no limiar de outro.Chamaram-nas de cartas aos mortos. III Eles não choravam ou se lamentavam por meio destas marcas e sinais.Eles…