Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Carlos Drummond de Andrade – Consolo na Praia
Vamos, não chores.A infância está perdida.A mocidade está perdida.Mas a vida não se perdeu. O primeiro amor passou.O segundo amor passou.O terceiro amor passou.Mas o coração continua. Perdeste o melhor amigo.Não tentaste qualquer viagem.Não possuis carro, navio, terra.Mas tens um cão. Algumas palavras duras,em voz mansa, te golpearam.Nunca, nunca cicatrizam.Mas, e o humour? A injustiça…
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Jorge de Sena – Conheço o Sal

“Conheço o Sal”, um poema de Jorge de Sena que transforma a intimidade dos corpos em matéria sensorial e simbólica, onde o sal do encontro amoroso se torna marca indelével da fusão entre dois seres.
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David Mourão-Ferreira – Ladainha dos Póstumos Natais

Ladainha dos Póstumos Natais, um poema de David Mourão-Ferreira sobre o Natal
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Daniel Jonas – Ossétia

Ou como uma foto de Karpukhina Madonna ampara com o braço umdos lados do triânguloe deixa um derradeiro beijo escorrer por eleaté à cabeça mortado seu menino no catre. Uma cena difícil: a contençãodas sombras, do chiaroscuro,o profundo luto quando a lutacedeu a sua luz. De preto elaemoldurando a palidez do seu querido,o crânio envolto…
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Miguel Martins – Para o meu pai

Muito poucos foram os dias cuja acidez não tragaste do princípio ao fim,vinho branco retintado pela morte dos teus sonhos, um a um,e uma bola de fogo a crescer-te no estômago, uma inteireza brutal,virada do avesso, como se uma queda tão lenta, tão evidentementequeda, tão claramente desesperada do futuro, pudesse ser exemplopara quem nem sequer…
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Régis Bonvicino – Suor

O mar o mormaço o meio-diaum cão se delicianas ondas do marverde, a mata verde avançano rochedoo esqueleto de um peixena areia da praia a brisao que tenho a dizer?o que ela diz o rouco marulho das ondassime nada além de ser
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Ricardo Silvestrin – Sacos

Estamos repletos de inutilidades,suas, minhas,inutilidades de família,de valor inestimável. Quinquilharias, ninharias,boiando no pó, atiradas em caixas,envelopes rasgados, gavetas. Ninguém se arrisca a botar foraesses tesouros de um reino perdidoentre os guardados. Em quantos sacos de lixo,sacos grandes de cem litros,vai caber todo o passado? Adquira outras obras de Ricardo Silvestrin clicando aqui
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Lisel Mueller – Desenhos de criança

1 O sol pode estar visível ou não(pode estar atrás de você,o expectador dessas imagens)mas o céu é sempre azulse é dia. Se não,as estrelas estão quase ao seu alcance;inclinadas, elas chegam até você,na iminência de cair.Nunca é nascer ou pôr do sol;não há nenhum olho ensanguentadoespiando você no horizonte.É claramente dia ou noite,é brilhante…
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Carlos Drummond de Andrade – Relógio do Rosário

Era tão claro o dia, mas a treva, do som baixando, em seu baixar me leva pelo âmago de tudo, e no mais fundo decifro o choro pânico do mundo, que se entrelaça no meu próprio choro, e compomos os dois um vasto coro. Oh dor individual, afrodisíaco sêlo gravado em plano dionisíaco, a desdobrar-se,…