Categoria: Poema
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Georg Trakl – De Profundis

Há um restolhal, onde cai uma chuva negra. Há uma árvore marrom, ali solitária. Há um vento sibilante, que rodeia cabanas vazias. Como é triste o entardecer Passando pela aldeia A terra órfã recolhe ainda raras espigas. Seus olhos arregalam-se redondos e dourados no crepúsculo, E seu colo espera o noivo divino. Na volta Os…
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Ovídio – A Morte de Narciso

Fonte sem limo, pura prata em ondas límpidas, jorrava. Nem pastor se achega, nem pastando seu rebanho montês, ou gado avulso, acode. Nem pássaro, nem fera, nem, tombando, um ramo perturba a úmida grama que o frescor irriga. O bosque impede o sol de aquentar este sítio. Da caça e do calor exausto, aqui vem…
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Jorge Luis Borges — Pátio

Com a tarde Cansaram-se as duas ou três cores do pátio. A grande franqueza da lua cheia Já não entusiasma o seu habitual firmamento. Hoje que o céu está frisado, Dirá a crendice que morreu um anjinho. Pátio, céu canalizado. O pátio é a janela por onde Deus olha as almas. O pátio é o…
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William Butler Yeats – O Prazer do Difícil

O prazer do difícil tem secado A seiva em minhas veias. A alegria Espontânea se foi. O fogo esfria No coração. Algo mantém cerceado Meu potro, como se o divino passo Já não lembrasse o Olimpo, a asa, o espaço, Sob o chicote, trêmulo, prostrado, E carregasse pedras. Diabos levem As peças de sucesso que…
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André Ladeia – Efêmera

A terra boia no oceano negro E estrelado Ela dança e rodopia; Ah! Como é bela E frágil… A Terra é uma bolha de sabão. http://antoniocicero.blogspot.com.br/2016/05/andre-ladeia-efemera.html
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Ivan Junqueira – O Aeroplano

Quando eu fiz cinco anos, meu pai deu-me de presente um aeroplano que ele próprio construíra com finas hastes de bambu e papel de seda. Tão leve quanto uma libélula, o frágil engenho voou até desaparecer por detrás do muro do quintal e dos últimos reflexos de um poente de verão. Ninguém jamais o encontrou.…