Ian Hamilton – Pai, Morrendo

Seus dedos, tufos de pelos de cobertor
Debaixo das unhas, estendem-se para tocar
As rosas ao lado da cama despetalando com o calor.
Caem pétalas brancas.
           Aprisionadas em suas mão
Elas escurecem, empapadas em suor, depois enrolam,
Desidratam-se e desmoronam.
           Hora após hora
Elas gotejam do ramo. Por fim
Ele está limpo e, quando você o toca, frio.
Você se inclina para observar os espinhos
Produzir brancas macerações em sua pele
Que sangram quando seu punho enrijece.
“Minha mão está em flor”, você diz. “Meu sangue
Anima este resto de pétalas. Vou viver.”

Trad.: Nelson Santander

Ian Hamilton – Father, Dying

Your fingers, wisps of blanket hair
Caught in their nails, extend to touch
The bedside roses flaking in the heat.
           White petals fall.
Trapped on your hand
They darken, cling in sweat, then curl,
Dry out and drop away.
           Hour after hour
They trikle from the branch. At last
It’s clean and, when you touch it, cold.
You lean Forward to watch the thorns
Pluck on your skin white pools
That bleed as your fist tightens.
“My hand’s in flower,” you say. “My blood
Excites this petal dross. I’ll live.”

Ian Hamilton – Poema de Aniversário

Firme em suas mãos
Sua caneca de barbear com a Exposição do Império.
Você a conserva agora
Como escarradeira, as pombas presunçosas,
O 1938 dela
Manchados por gotas de seu sangue.
Esta noite,
Meio sufocado, canceroso,
Desiludido,
Você bate os dentes contra sua boca dourada de porcelana
E espera por um ataque.

Trad.: Nelson Santander

Ian Hamilton – Birthday Poem

Tight in your hands,
Your Empire Exhibition shaving mug.
You keep it now
As a spittoon, its bloated doves,
Its 1938
Stained by the droppings of your blood.
Tonight,
Half-suffocated, cancerous,
Deceived,
You bite against its gilded china mouth
And wait for an attack.

Ian Hamilton – Memorial

Quatro lápides desgastadas inclinam-se contra a parede
do seu hospício Vitoriano.
Além dos limites, você se ajoelha na grama alta
Decifrando nomes obliterados:
Velhos lunáticos que aqui morreram.

Trad.: Nelson Santander

Ian Hamilton – Memorial

Four weathered gravestones tilt against the wall
Of your Victorian asylum.
Out of bounds, you kneel in the long grass
Deciphering obliterated names:
Old lunatics who died here.

Ian Hamilton – Epitáfio

O aroma de rosas velhas e tabaco
Faz-me regressar.
Há quase vinte anos
Que não nos vemos
E a nossa desapegada paixão continua.

Foi isto que me deixaste:
A mão, entreaberta, imóvel
Sobre uma colcha verde.
O bastante para erguer
Alguns poemas melancólicos.

Se então eu te houvesse tocado
Um de nós podia ter sobrevivido.

Trad. Nuno Vidal

Epitaph

The scent of old roses and tobacco
Takes me back.
It’s almost twenty years
Since I last saw you
And our half-hearted love affair goes on.

You left me this:
A hand, half-open, motionless
On a green counterpane.
Enough to build
A few melancholy poems on.

If I had touched you then
One of us might have survived.