Ian Hamilton – Os quarenta

“O eu que sobreviveu àqueles anos desprezíveis”,
Sua “virtude austera” magicamente intacta. Pois bem,
Ele deve ter-se perguntado, é isto
O “é isso”; esta Vida encapsulável
Que nunca pensei encontrar
E nunca procurei: que começa no meio
De tal modo que no fim
O dano perdura mais do que a reparação?

Aos quarenta e cinco
Eu sou o dono da casa agora e ao entardecer
Você me verá fazendo o meu “passeio noturno”
Até o adormecido lago dos lírios:
Do fundo do nosso quintal, cento e onze jardas.
E uma vez lá, eu farei uma pausa, meio sóbrio, sem dor
E parecendo escutar; mas já não mais “ouvindo”.
E às minhas costas,
Oito janelas, uma varanda, o lote limpo
Para as suas (por que não?) “verduras orgânicas”,
A treliça que precisa ser consertada, que eu irei consertar.

Trad.: Nelson Santander

The forties

“The self that has survived those trashy years”,
Its “austere virtue” magically intact. Well then,
He must have asked himself, is this
The “this is it”; that encapsulable Life
I never thought to find
And didn’t seek: beginning at the middle
So that in the end
The damage is outlived by the repair?

At forty-five
I’m father of the house now and at dusk
You’ll see me take my “evening stroll”
Down to the dozing lily pond:
From our rear deck, one hundred and eleven yards.
And there I’ll pause, half-sober, without pain
And seem to listen; but no longer “listen out”.
And at my back,
Eight windows, a veranda, the neat plot
For your (why not?) “organic greens”,
The trellis that needs fixing, that I’ll fix.

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