Tag: Morte
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Ana Martins Marques – Interiores

AÇUCAREIRO De amargo basta o amor Agridoce, ela disse Mas a mim pareceu amargo CADEIRA I Repetes diariamente os gestos do primeiro homem que se sentou numa tarde quente olhando as savanas II Pouso de gigantescos pássaros cansados FRUTEIRA Quem se lembrou de pôr sobre a mesa essas doces evidências da morte? CRISTALEIRA Guarda e…
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Paulo Nunes – A um antianjo

Em memória de Júlio Caixeta A mais longa distância que pode haver, esta que agora vai dos teus pés ao chão, não te fez mais leve: foi o mundo e nossas vidas que se soltaram.
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Armando Freitas Filho – Antiquário

Mil folhas. Mesmo em algumas das mais passadas, um pouco do sabor, um risco de doçura e amargo, é remanescente. Anamnésia construída pelo fato e pela imaginação: vai do anátema ao enaltecimento, expressos em alta voz até ao murmúrio cifrado no coração. O acervo de uma vida se dispersará depois de ela parar: alguma coisa…
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Ricardo Silvestrin – Bilhete

Não me parecias frágil, via-te doce. Talvez fosses mesmo forte, é preciso ser valente pra decretar a própria morte. Tinha-te por calmo. Que rio obscuro e discreto te puxava para o fundo, sem saber nadar, sem ninguém saber de nada? Não deixaste uma carta, um poema, um bilhete de suicida. Como se quisesses dizer que…
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Paul Auster – Fragmento de Frio

Porque ficamos cegos no dia que se esvai conosco, e porque vimos nossa respiração nublar o espelho de ar, o olho do ar vai se abrir para nada mais que a palavra a que renunciamos: o inverno terá sido lugar de madureza. Nós que viramos os mortos de uma vida que não a nossa. Trad.:…
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Rainer Maria Rilke – Hora Grave

Quem agora chora em algum lugar do mundo, Sem razão chora no mundo, Chora por mim. Quem agora ri em algum lugar na noite, Sem razão ri dentro da noite, Ri-se de mim. Quem agora caminha em algum lugar no mundo, Sem razão caminha no mundo, Vem a mim. Quem agora morre em algum lugar…
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Jorge Luis Borges – Labirinto

Não haverá uma porta. Já estás dentro, Mas o alcácer abarca o universo E não tem nem anverso nem reverso Nem muro externo nem secreto centro. Não penses que o rigor do teu caminho Que fatalmente se bifurca em outro, Que fatalmente se bifurca em outro, Terá fim. É de ferro o teu destino Como…
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Bill Knott – Morte

Morte Perto de dormir, cruzo as mãos sobre o peito. Colocarão minhas mãos assim. Parecerá que estou a voar para dentro de mim mesmo. Death Going to sleep, I cross my hands on my chest. They will place my hands like this. It will look as though I am flying into myself. Trad.: Antonio Cicero…
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Joaquim Cardozo – Canção Elegíaca

Quando os teus olhos fecharem Para o esplendor deste mundo, Num chão de cinza e fadigas Hei de ficar de joelhos; Quando os teus olhos fecharem Hão de murchar as espigas, Hão de cegar os espelhos. Quando os teus olhos fecharem E as tuas mãos repousarem No peito frio e deserto, Hão de morrer as…
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Angela Melim – Meu pai nos abandonou

Meu pai nos abandonou. Minha mãe casou e mudou. Vovó morreu. Os irmãos sumiram no mundo ou submundo. Sem explicação Yvonne nunca mais falou comigo e, para Ronaldo, sou fantasma do passado. Vejo meus filhos já voando. Nem um pássaro na mão. in http://asescolhasafectivas.blogspot.com.br/2007/12/angela-melim-mencionada-por-laura-erber.html