Categoria: Poesia em Língua Portuguesa
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Cassiano Ricardo – Jogo de Xadrez

1 Não posso, sem remorso, ver uma criatura dormindo. Tão sincera, dá-se tanto (tão f o t o g ê n i c a- m e n t e) que me arrependo de não lhe haver sido mais puro quando falávamos, há pouco. A morte, se igual ao sono, absolvido, já, da luta, deverá ser…
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Ricardo Silvestrin – Dança

Sim, existe a dança: o corpo solto avança e recua leve nos passos matemáticos, um, dois, um, como se fosse mais fácil viver num tempo menor, brincadeira de criança que sabe de cor o roteiro e ri na hora marcada. Fora da dança, o infinito nos convida, nos seduz com passos improváveis, mas temos dois…
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Carlos Drummond de Andrade – A Mesa

E não gostavas de festa. . . Ó velho, que festa grande hoje te faria a gente. E teus filhos que não bebem e o que gosta de beber, em torno da mesa larga, largavam as tristes dietas, esqueciam seus fricotes, e tudo era farra honesta acabando em confidência. Ai, velho, ouvirias coisas de arrepiar…
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Cassiano Ricardo – Ode Pastoril

A paisagem é minha só porque tenho olhos. O pássaro é meu só porque tenho ouvidos. Amo com a mão as coisas que o estar aqui me deu. No universal verde, sou meu ser, não sou eu. Em meu léxico lírico só existem duas palavras, e uma é irmã da outra: a manhã e o…
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Laura Amélia Damous – Brevíssima Canção do Amor Constante

Ferindo o tempo Vestindo eternidade O meu amor tranqüilo e mudo Vive em ti Tão leve e manso Que tu não o sentes Tu
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Carlos Nejar – Gazel do Universo Começando

“Gazel do Universo Começando”, um poema de Carlos Nejar que funde amor e cosmos em imagens circulares de vento, trigo e mar, sugerindo que o universo inteiro começa no encontro amoroso e no movimento compartilhado dos amantes.
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Cassiano Ricardo – O Espelho

Um meio-dia nu, numa enorme moldura de prata. Parece mais o escudo de um arcanjo de fogo. Mas não é nada. É apenas um espelho. Um rico espelho. De extraordinário fulgor. Próprio pra ser colocado à parede de um ministério da Fazenda, ou de uma casa de jogo. Toda a cidade cabe dentro dele. Árvores,…
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Lêdo Ivo – A Queimada

Queime tudo o que puder: as cartas de amor as contas telefônicas o rol de roupas sujas as escrituras e certidões as inconfidências dos confrades ressentidos a confissão interrompida o poema erótico que ratifica a impotência e anuncia a arteriosclerose os recortes antigos e as fotografias amareladas. Não deixe aos herdeiros esfaimados nenhuma herança de…
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Cassiano Ricardo – Ladainha

Por que o raciocínio, os músculos, os ossos? A automação, ócio dourado. O cérebro eletrônico, o músculo mecânico mais fáceis que um sorriso. Por que o coração? O de metal não tornará o homem mais cordial, dando-lhe um ritmo extra- corporal? Por que levantar o braço para colher o fruto? A máquina o fará por…