Mês: maio 2018
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José Alcaraz – Volta para Casa

Atravessa as ruas absorto nos ecos das pessoas, distante inclusive de seus pensamentos. Não chove, não abre seu guarda-chuva, no entanto, como sempre, molham-se não só seus sapatos como a vida também, porque às vezes não recorda que o mundo o reclama. Caminha como quem não sabe para onde, a cada passo crê estar só…
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Hans Magnus Enzensberger – A Visita

Quando levantei os olhos da página em branco havia um anjo no quarto. Um anjo bastante comum presumivelmente de menor hierarquia. Você não pode imaginar, ele disse, o tanto que você é dispensável. Dos quinze mil tons de azul, ele disse, cada um faz mais diferença Do que tudo que você possa fazer ou deixar…
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Manuel António Pina – Interiores

Onde estamos agora que não nos vemos, tu sentada diante da TV e eu escrevendo isto, não sei o quê, como outros dois que nós não conhecemos? Será que alguma coisa permaneceu do nosso amor como uma inevitabilidade, uma saudade pousada agora na mão de Deus existindo para sempre na sua breve eternidade? Talvez percorramos…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Reza da Manhã de Maio

Senhor, dai-me a inocência dos animais Para que eu possa beber nesta manhã A harmonia e a força das coisas naturais. Apagai a máscara vazia e vã De humanidade, Apagai a vaidade, Para que eu me perca e me dissolva Na perfeição da manhã E para que o vento me devolva A parte de mim…