Mês: julho 2016
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Sérgio Sant’Anna – Heavy Metal

Escombros. Um odor de carne chamuscada. Porém não se detecta a presença de cadáveres. Aqui e ali, como sombras, algumas paredes e edificações remanescentes. A torre caída de uma catedral gótica sobre fragmentos de vitrais estilhaçados. A reverberação de suas cores projetando castelos abstratos. Um bando de delinquentes juvenis, com as mãos nos bolsos, atravessa…
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Cassiano Ricardo – Ode Pastoril

A paisagem é minha só porque tenho olhos. O pássaro é meu só porque tenho ouvidos. Amo com a mão as coisas que o estar aqui me deu. No universal verde, sou meu ser, não sou eu. Em meu léxico lírico só existem duas palavras, e uma é irmã da outra: a manhã e o…
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Laura Amélia Damous – Brevíssima Canção do Amor Constante

Ferindo o tempo Vestindo eternidade O meu amor tranqüilo e mudo Vive em ti Tão leve e manso Que tu não o sentes Tu
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Carlos Nejar – Gazel do Universo Começando

“Gazel do Universo Começando”, um poema de Carlos Nejar que funde amor e cosmos em imagens circulares de vento, trigo e mar, sugerindo que o universo inteiro começa no encontro amoroso e no movimento compartilhado dos amantes.
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Cassiano Ricardo – O Espelho

Um meio-dia nu, numa enorme moldura de prata. Parece mais o escudo de um arcanjo de fogo. Mas não é nada. É apenas um espelho. Um rico espelho. De extraordinário fulgor. Próprio pra ser colocado à parede de um ministério da Fazenda, ou de uma casa de jogo. Toda a cidade cabe dentro dele. Árvores,…
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William Blake – Londres

Em cada rua escriturada em que ando, Onde o Tâmisa escriturado passa, Eu nos rostos que encontro vou notando Os sinais da doença e da desgraça. Ouço nos gritos que os adultos dão, E nos gritos de medo do inocente, Em cada voz, em cada interdição, As algemas forjadas pela mente Se o Limpa-Chaminés acaso…
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Giuseppe Ungaretti – Natal

Natal Não tenho vontade de mergulhar-me em um novelo de estradas Carrego tanto cansaço sobre os ombros Deixai-me assim como uma coisa colocada em um canto e esquecida Aqui não se sente outra presença que o calor bom Estou com as quatro cabriolas de fumaça da lareira. Trad.: Luigi Lucchesi

