Mês: fevereiro 2016
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Aldous Huxley – Silêncio/Música

“Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música.” – Aldous Huxley
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Cassiano Ricardo – O Festim Terrestre

O olho de Polifemo já depois de arrancado ao gigante bêbado, foi posto, entre rosas carnosas e lírios agudos, sobre a alva mesa. Tinha ainda a pupila acesa. E os doze convivas, — doze fomes irmãs, — todos ao mesmo tempo, simultâneos como figuras de uma orquestra, vieram, graves, comer o olho de Polifemo, em…
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Cassiano Ricardo – Evocação dos Mortos

Um dia conversarei com os meus mortos. E todos os que morri (os muitos eus que eu fui) reunidos inquietos sôfregos cada qual com um meu rosto na mão, me contarão (sua) a minha história. Não obstante a tua gélida memória. Ah, os defuntos que ficaram atrás de mim fotograficamente, agora juntos. Não acredito que…
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Titãs – O Pulso

O PULSO O pulso ainda pulsa O pulso ainda pulsa Peste bubônica câncer pneumonia Raiva rubéola tuberculose anemia Rancor cisticercose caxumba difteria Encefalite faringite gripe leucemia O pulso ainda pulsa O pulso ainda pulsa Hepatite escarlatina estupidez paralisia Toxoplasmose sarampo esquizofrenia Úlcera trombose coqueluche hipocondria Sífilis ciúmes asma cleptomania O corpo ainda é pouco O…
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Marina Colasanti – Sexta-feira à noite

Sexta-feira à noite Os homens acariciam o clitóris das esposas Com dedos molhados de saliva. O mesmo gesto com que todos os dias Contam dinheiro, papéis, documentos E folheiam nas revistas A vida dos seus ídolos. Sexta-feira à noite Os homens penetram suas esposas Com tédio e pénis. O mesmo tédio com que todos os…
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Waly Salomão – A Fábrica do Poema

do livro: Algaravias: FÁBRICA DO POEMA in memoriam Donna Lina Bo Bardi sonho o poema de arquitetura idealcuja própria nata de cimento encaixa palavra porpalavra,tornei-me perito em extrair faíscas das britase leite das pedras.acordo.e o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.acordo.o prédio, pedra e cal, esvoaçacomo um leve papel solto à mercê do ventoe evola-se,…
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Ferreira Gullar – Galo Galo

O galo no saguão quieto. Galo galo de alarmante crista, guerreiro, medieval. De córneo bico e esporões, armado contra a morte, passeia. Mede os passos. Pára. Inclina a cabeça coroada dentro do silêncio: — que faço entre coisas ? — de que me defendo ? Anda No saguão. O cimento esquece o seu último passo.…
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Manuel Bandeira – Profundamente

Quando ontem adormeci Na noite de São João Havia alegria e rumor Estrondos de bombas luzes de Bengala Vozes, cantigas e risos Ao pé das fogueiras acesas. No meio da noite despertei Não ouvi mais vozes nem risos Apenas balões Passavam errantes Silenciosamente Apenas de vez em quando O ruído de um bonde Cortava o…
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Manuel Bandeira – Poema Só Para Jaime Ovalle

Quando hoje acordei, ainda fazia escuro (Embora a manhã já estivesse avançada). Chovia. Chovia uma triste chuva de resignação Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite. Então me levantei, Bebi o café que eu mesmo preparei, Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando… – Humildemente pensando na vida e nas…
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Carlos Drummond de Andrade – A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamente uma estrada de Minas, pedregosa, e no fecho da tarde um sino rouco se misturasse ao som de meus sapatos que era pausado e seco; e aves pairassem no céu de chumbo, e suas formas pretas lentamente se fossem diluindo na escuridão maior, vinda dos montes e de meu próprio…