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Antonio Cicero – Sair

Largar o cobertor, a cama, o medo, o terço, o quarto, largar toda simbologia e religião; largar o espírito, largar a alma, abrir a porta principal e sair. Esta é a única vida e contém inimaginável beleza e dor. Já o sol, as cores da terra e o ar azul – o céu do dia…
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Antonio Cicero – Perplexidade

Não sei bem onde foi que me perdi; talvez nem tenha me perdido mesmo, mas como é estranho pensar que isto aqui fosse o meu destino desde o começo.
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Giuseppe Ungaretti – Eterno

Entre uma flor colhida e o dom de outra o nada inexprimível Trad.: Haroldo de Campos Eterno Tra un fiore colto e l’ altro donato l’ inesprimibile nulla.
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Giuseppe Ungaretti – De uma Estrela à Outra

Daquela estrela à outra A noite se encarcera Em turbinosa vazia desmesura, Daquela solidão de estrela Àquela solidão de estrela Trad: Haroldo de Campos
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Salvatore Quasimodo – E de repente é noite

Cada um está só no coração da terra traspassado por um raio de sol: e de repente é noite. Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti
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Jorge Luis Borges – Limites

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar, Há uma rua próxima que está vedada a meus passos, Há um espelho que me viu pela última vez, Há uma porta que fechei até o fim do mundo. Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os) Há algum que já nunca abrirei. Este verão…
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Antero de Quental – Divina Comédia

Erguendo os braços para o Céu distante E apostrofando os deuses invisíveis, Os homens clamam: – «Deuses impassíveis, A quem serve o destino triunfante, Porque é que nos criastes?! Incessante Corre o tempo e só gera, inextinguíveis, Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis, Num turbilhão cruel e delirante… Pois não era melhor na paz clemente Do…
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Friedrich Hölderlin – Outrora e Agora

De manhã era feliz, quando jovem, E à noite chorava; já hoje, mais velho, Começo meu dia em dúvida, porém Seu fim é para mim sagrado e sereno. Trad.: Antonio Cicero Ehmals und jetzt In jüngern Tagen war ich des Morgens froh, Des Abends weint’ich; jetzt, da ich älter bin, Beginn ich zweifelnd meinen Tag,…
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Friedrich Hölderlin – A Brevidade

“Por que és tão breve? Não amas mais, como outrora, O canto? Quando jovem, não chegavas, Nos dias de esperança, Nunca ao fim, quando cantavas!” Tal qual minha sorte é meu canto. – Queres ao arrebol Banhar-te alegremente? Foi-se! E a terra está fria E o pássaro da noite esvoaça incomodamente aos olhos teus. …
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Rainer Maria Rilke – A Morte do Poeta

Jazia. A sua face, antes intensa, pálida negação no leito frio, desde que o mundo, e tudo o que é presença, dos seus sentidos já vazio, se recolheu à Era da Indiferença. Ninguém jamais podia ter suposto que ele e tudo estivessem conjugados e que tudo, essas sombras, esses prados, essa água mesma eram o…