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Carlos Drummond de Andrade – Consolo na Praia

Vamos, não chores. A infância está perdida. A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu. O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Mas o coração continua. Perdeste o melhor amigo. Não tentaste qualquer viagem. Não possuis carro, navio, terra. Mas tens um cão. Algumas palavras duras, em voz…
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Carlos Drummond de Andrade – Tu? Eu?

Não morres satisfeito. A vida te viveu sem que vivesses nela. E não te convenceu nem deu motivo para haver o ser vivo. A vida te venceu em luta desigual. Era todo o passado presente presidente na polpa do futuro acuando-te no beco. Se morres derrotado, não morres conformado. Nem morres informado dos termos da…
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Antonio Cicero – Nihil

nada sustenta no nada esta terra nada este ser que sou eu nada a beleza que o dia descerra nada a que a noite acendeu nada esse sol que ilumina enquanto erra pelas estradas do breu nada o poema que breve se encerra e que do nada nasceu
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Algernon Charles Swinburne – Um Amigo Morto

Leia “Um Amigo Morto”, de Algernon Charles Swinburne, uma comovente elegia sobre amizade, memória e a permanência do amor após a morte.
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Machado de Assis – Memórias Póstumas (último capítulo)

Talvez o melhor capítulo final da literatura brasileira:Entre a morte do Quincas Borba e a minha, mediaram os sucessos narrados na primeira parte do livro. O principal deles foi a invenção do emplasto Brás Cubas, que morreu comigo, por causa da moléstia que apanhei. Divino emplasto, tu me darias o primeiro lugar entre os homens,…
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Pierre Corneille – Estrofes para a bela marquesa

Marquesa, se minha face A ti parece mais velha, Espera que o tempo passe Que verás a que te espelha. O tempo, contra o vigor Das coisas belas, protesta, E há de te fanar a flor Tal qual enrugou-me a testa. Noite e dia tudo flui, Rege-nos a mesma lei, Se veem em ti o…
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Alberto Caeiro – Há Metafísica demais em não Pensar em Nada

Não acredito em Deus porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, Sem dúvida que viria falar comigo E entraria pela minha porta dentro Dizendo-me, Aqui estou! (Isto é talvez ridículo aos ouvidos De quem, por não saber o que é olhar para as coisas, Não compreende quem fala delas Com o…
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Jorge Luis Borges – O Suicida

Não ficará na noite uma estrela. Não ficará a noite. Morrerei e comigo a suma Do intolerável universo. Apagarei as pirâmides, as medalhas, Os continentes e as caras. Apagarei a acumulação do passado. Farei pó a história, pó o pó. Estou olhando o último poente. Ouço o último pássaro. Lego o nada a ninguém. Trad.:…