Mês: fevereiro 2017
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Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nada lhes pediu, o que um dia levam embora; e se não foi pedida a coisa dada não cabe se queixar da perda agora. Mas não ter tido nunca nada, não seria bem melhor — ou menos mau? Mesmo sabendo que uma solidão completa era o capítulo final,…
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Konstantinos Kaváfis – A Origem

“A Origem”, um poema de Konstantinos Kaváfis que revela como o instante clandestino do desejo se transmuta, no tempo, em matéria secreta da poesia.
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Walter de la Mare – Os que Ouviam

‘Tem alguém em casa?’ indagou o Viajante Defronte à porta enluarada; Seu cavalo no silêncio ruminava o capim Da forragem fértil e enfolhada: E uma ave voou para muito além da torre, Acima de sua cabeça: E de novo a porta ele outra vez castigou; ‘Tem alguém em casa?’ ele disse. Mas ninguém desceu para…
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Affonso Romano de Sant’Anna – Eppur Si Muove

Não se pode calar um homem Tirem-lhe a voz, restará o nome. Tirem-lhe o nome e em nossa boca restará a sua antiga fome. Matar, sim, se pode. Se pode matar um homem. Mas sua voz, como os peixes, nada contra a corrente a procriar verdades novas na direção contrária à foz. Mente quem fala…