Categoria: Ivan Junqueira
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Ivan Junqueira – O Aeroplano

Quando eu fiz cinco anos, meu pai deu-me de presente um aeroplano que ele próprio construíra com finas hastes de bambu e papel de seda. Tão leve quanto uma libélula, o frágil engenho voou até desaparecer por detrás do muro do quintal e dos últimos reflexos de um poente de verão. Ninguém jamais o encontrou.…
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Ivan Junqueira – Morrer

Pois morrer é apenas isto: cerrar os olhos vazios e esquecer o que foi visto; é não supor-se infinito, mas antes fáustico e ambíguo, jogral entre a história e o mito; é despedir-se em surdina, sem epitáfio melífluo ou testamento sovina; é talvez como despir o que em vida não vestia e agora é inútil…
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Ivan Junqueira – Esse Punhado de Ossos

Esse punhado de ossos que, na areia, alveja e estala à luz do sol a pino moveu-se outrora, esguio e bailarino, como se move o sangue numa veia. Moveu-se em vão, talvez, porque o destino lhe foi hostil e, astuto, em sua teia bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia o que havia de raro…
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Ivan Junqueira – A Sagração dos Ossos

Considerai estes ossos – tíbios, inúteis, apócrifos – que sob a lápide dormem sem prédica que os conforte. Considerai: é o que sobra de quem lhes serviu de invólucro e agora já não se move entre as tábuas do sarcófago. Dormem sem túnica ou toga e, quando muito, um lençol lhes cobre as partes mais…
