Mês: dezembro 2021
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Danusha Laméris – Vestindo-se para o enterro

Ninguém fala sobre a hilaridade após a morte —a forma como na semana em que o meu irmão se matoua esposa dele e eu caímos na cama gargalhandoporque ela não conseguia decidir sobre o que vestir para o grande dia,e me perguntou, “Eu quero ser sexy ou Amish?” Eu respondi: sexy.E nós rolamos sobre o…
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Kenneth Rexroth – Delia Rexroth

A Califórnia entra numVerão modorrento, e o arEstá repleto da agridoceFumaça de relva queimandoNas colinas de São Francisco.A carne arde assim, as pirâmidesIdem, assim como as estrelas em combustão.Cansado esta noite, em uma cidadeDe arrivistas, no desumanoOeste, no mais sangrento dos anos,Peguei um livro de poemasDe que você costumava gostar, com Aquela música que você…
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Joana, de Joan Margarit

Há livros que não devem ser lidos às pressas. Joana, de Joan Margarit, é um deles. Esta página reúne, no Singularidade Poética, a tradução da obra publicada em sequência. Mais do que um conjunto de poemas, Joana é um livro: tem uma respiração própria, uma ordem interna, uma dor que retorna em imagens, vozes, lugares…
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Joan Margarit – No fundo da noite

O ar está gelado.Até o rouxinol guarda silêncio.Com a testa apoiada na vidraçapeço perdão às minhas duas filhas mortas,porque já quase nunca penso nelas.O tempo foi deixando sobre a cicatrizsua argila poeirenta, e ocorre que, mesmoquando se ama alguém, sobrevém o esquecimento.A luz tem a mesma dureza das gotasque, com o degelo, vão caindo do…
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Joan Margarit – Um lugar perdido

UM LUGAR PERDIDOIn memoriamMarta Ribalta i Taltavull (17-VIII-1946, 11-V-1999)Joana Margarit i Ribalta (20-VIII-1970, 2-VI-2001) Reluz o sol do conto de fadasque para Marta foi esta casapequena e luminosa em frente aos campos.Ninguém tocou em um único troncoda lenha cortada e ordenada.Joana fez um desenho para elaonde lhe dizia: Que sejas muito feliz.Quando Joana tinha dois anos…
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Joan Margarit – A espera

Muitas coisas estão sentindo a tua falta.Cada dia é repleto de momentos que esperamaquelas pequenas mãosque seguraram as minhas tantas vezes.Teremos de nos habituar à tua ausência.Um verão já passou sem teus olhose o mar também terá que se acostumar.Por muito tempo ainda,a rua esperará diante de nossa porta,pacientemente, pelos teus passos.Não se cansará nunca…
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Joan Margarit – Lápide

LÁPIDEANNA, 1967; JOANA, 1970-2001 Nossa memória guarda vossos nomesem uma pequena praia que jamaisfigurará nos mapas dos navios.Quão próximas estais aqui, uma da outra,minhas filhas, depois de tanto tempo.Tão unidas agora, atrás de vossos nomes,que olham para o mare que o sol lê a cada amanhecer. Trad.: Nelson Santander LÁPIDAANNA, 1967; JOANA, 1970-2001 Nuestra memoria…
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Joan Margarit – Quadro com pássaros

A parede é, deste lado, escura e triste,como naquela históriaque um dia te contei. Fosse de verdade,todos os pássaros que pintasteestariam a tua espera do outro ladocantando para ti:acolher-te-ia aquela parte clarade que falava a históriacomo o faríamos tua mãe e euse pudesses voltar para casa novamente. Conto para mim mesmo esta históriaenquanto olho para…
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Joan Margarit – O primeiro verão sem ti

IPenhascos de um cinza esverdeado,como grandes machados pré-históricos,mergulham na água.Como alguém descascando frutas,a estrada recorta suas curvasatravés das velhas colinas calcinadas. O carro estaciona próximo ao mare no retrovisor não estão teus olhos.Em frente, branco, La Gambinacom seu letreiro — HOTEL — azulno alto, no telhado, mirando o amanhã. IISentada diante das ondas:as nuvens se…
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Joan Margarit – Professor Bonaventura Bassegoda

Lembrei-me de você, alto e corpulento,atrevido, sentimental. Na época, vocêera uma autoridade em Alicerces Profundos.Iniciava as aulas sempre assim:Senhores, bom dia.Hoje faz tantos anos, tantos mesese tantos dias que minha filha morreu.E costumava secar algumas lágrimas.Tínhamos vinte anos, mais ou menos,e o homem corpulento que você era,chorando durante a aula,nunca nos fez sorrir.Há quanto tempo…