Categoria: William Butler Yeats
-
William Butler Yeats – A torre

1 O que farei com esta absurdidade, Esta caricatura, coração? Decrepitude atada à minha idade Como à cauda de um cão? Jamais terei sentido Tão grande, tão apaixonada, tão incrível A fantasia, nem houve olho e ouvido Que mais quisessem o impossível – Não, nem quando menino, com inseto e anzol, Ou mais humilde verme,…
-
William Butler Yeats – As quatro idades do homem

As quatro idades do homem, um poema de William Butler Yeates: Com seu corpo principiou uma rinha O corpo venceu; ereto ele caminha. Ele lutou então com o coração; Sua inocência e sua paz já se vão.
-
William Butler Yeats – Um aviador irlandês prevê a morte

Encontrarei meu fim no meio das nuvens de algum céu sobejo; os que combato, eu não odeio, também não amo os que protejo; Kiltartan Cross é meu país, seus pobres são a minha gente, nada a fará mais infeliz do que já era, ou mais contente. Não é por lei ou por dever, turba ou…
-
William Butler Yeats – Morte

Um bicho à morte ignora ânsia e temor; contudo um homem, quando é hora, anseia e teme tudo; morreu vezes sem conta e ergueu-se redivivo. Um grande homem confronta gente homicida, altivo, escarnecendo o corte do alento. Convivera com a morte a vida inteira: o homem criou a morte. Trad.: Nelson Ascher
-
William Butler Yeats – Bizâncio

As imagens febris do dia se desfazem; Os guardas imperiais, bêbados, jazem; Noite sem som, sombras noctívagas se alongam Da catedral e do seu gongo; À luz de estrela ou lua um domo desmerece Tudo o que é humanidade, Mera complexidade As veias, fúria e lama, em toda humana espécie. Diante de mim a imagem,…
-
William Butler Yeats – O Prazer do Difícil

O prazer do difícil tem secado A seiva em minhas veias. A alegria Espontânea se foi. O fogo esfria No coração. Algo mantém cerceado Meu potro, como se o divino passo Já não lembrasse o Olimpo, a asa, o espaço, Sob o chicote, trêmulo, prostrado, E carregasse pedras. Diabos levem As peças de sucesso que…
-
William Butler Yeats – Quando Estiveres Grisalha e com Sono…

Quando estiveres grisalha e com sono, Dormitando ante o fogo, lê meu livro Bem lentamente e lembra o sensitivo Olhar que tinhas de suave abandono. Muitos amaram tuas alegrias, Tua beleza; mas só num culmina O amor por tua alma peregrina E a mágoa que teu rosto pressentia. Reclina-te ante as chamas; e ao vê-las…
-
William Butler Yeats – A Segunda Vinda

Girando em círculos sempre maiores Já não ouve o falcão ao falcoeiro; Tudo desaba; o próprio centro hesita; Livre, a anarquia reina sobre o mundo, Livre a maré sanguinolenta: em tudo Se afogam os rituais da inocência; Os melhores vacilam e os piores À intensidade passional se entregam. Na certa algo de novo se anuncia,…
-
William Butler Yeats – Quando Velha e Grisalha…

Quando velha e grisalha e exausta, ao fim do dia, tu cabeceares junto ao fogo, vem folhear lentamente este livro, e lembra o doce olhar e as sombras densas que nos olhos teus havia. Quantos, com falsidade ou devoção sincera, amaram-te a beleza e graça de menina! Um só, porém, amou tua alma peregrina, e…
-
William Butler Yeats – Viajando para Bizâncio

Aquela não é terra para velhos. Gente jovem, de braços dados, pássaros nas ramas — gerações de mortais — cantando alegremente, salmão no salto, atum no mar, brilho de escamas, peixe, ave ou carne glorificam ao sol quente tudo o que nasce e morre, sêmen ou semente. Ao som da música sensual, o mundo esquece…