Tag: Joana
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Joan Margarit – Metrô Fontana

Começava a noite nas estreitasruas de Gràcia, todas com as luzesde natal mesclando-se à multidão.Dos bares repletos nos chegavamas vozes altas e alegres dos rapazes e das moças.Cercavam-nos sorridentes os casacos,os faróis e flashes de luz do comércio,os casais fugazes em suas motoscom os rostos ocultos pelo capacete.Via Joana por toda parte:surgia por toda parte…
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Joan Margarit – Manhã de domingo com a música de Lluís Claret

Na hospitalidade do sol de invernode domingos passados,estávamos muito tristes com o que desconhecias.Já os aplausos — como gostavas,tão séria, dos aplausos — cediamà peça solene de Berlioz.A viola — nunca o saberás — já eraa voz acolhedora da Morte. Lluís subiu ao palco comseu violoncelo. Não tarda o ouviremostocar a «Aria pastoral» de Bachpara…
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Joan Margarit – Às quatro da madrugada

Uiva o primeiro cão, e imediatamentehá um eco em um pátio, outros ressoamao mesmo tempo em um único latido,acerbo, sem ritmo nenhum.Ladram com seus focinhos levantados.Oh, cães, de onde viestes?Que manhã me evoca vossa noturna queixa?Ouço como acossais o sonho de minha filhade vosso catre, em meio aos excrementoscom os quais demarcastes um territóriode becos,…
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Joan Margarit – Amanhecer em Cádiz

Em frente ao hotel, o mar enevoado.As longas linhas da espuma cinzadesenham uma barreira de recifediante da balaustrada da praia.Ouvi teu nome pronunciado na línguado mar. E ele diz que estás partindo. Repetem-no as negras, solitárias cegonhasque em silêncio planam sobre a água.Nunca saberei o que sabes tu de mim,ou em que verdade estivemos juntos,ou…
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Joan Margarit – Riera Pahissa

RIERA PAHISSA […] why abandon a belief merely because it ceases to be true?ROBERT FROST Deixava-te na entrada da escola,em frente ao estreito portão daquele muro que, encerrando a horta de um convento,seguia o leito seco de um riacho.Por uma pequena ponte de ferro com tábuascruzava-se a ravina sobre o brilhode algumas poucas poças como…
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Joan Margarit – Enquanto tu dormes

Na praça tomada pela chuvaobservo a alta janela iluminadaque não quero perder: não hei de render-meà condenação da vida.Este lugar não mais pertence à cidade:uma praça vazia com a luzdo hospital refletindo nas poças.As portas automáticasse abrem de vez em quando e dão lugara uma obscura figura corriqueira.Muletas cruzam, invisíveis, a ruae se aproximam de…
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Joan Margarit – Joana (Prólogo)

PRÓLOGO Do que sinto sobre o amanhã, o que mais se parece com uma certeza é que Joana e eu nunca mais voltaremos a nos ver. Quão diferente seria a vida se a morte fosse esperar muitos milhões de anos para podermos nos encontrar novamente, ainda que só por alguns breves instantes. Mas o abismo…
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Nelson Santander – Apresentação de “Joana”, de Joan Margarit

Em 16 de fevereiro deste ano, falecia, aos 82 anos de idade, vítima de um câncer, Juan Margarit I Consarnau, o grande poeta, arquiteto e catedrático catalão (foi professor da disciplina Cálculos Estruturais da Escola Superior de Arquitetura de Barcelona, de 1964 até sua aposentadoria, em 1998), vencedor do Prêmio Miguel de Cervantes (2019), dentre…