Joan Margarit – Passando em frente ao Terramar

Joan Margarit – Passando em frente ao Terramar

Sitges, anos sessenta: o velho hotel de luxo
onde escrevi meu livro Mar de invierno.

Trinta anos depois, pouco antes
de sua morte, voltei com ela ao local:
a pintura estava descascada, as grades,
corroídas pelo mar, e o velho carpete
gasto nos locais de maior circulação.

Em contrapartida, o vitral permanecia
o mesmo nos quartos, ainda suntuosos:
separava a sala do dormitório,
e era feito de vidros duplos opalinos
entre os quais os modernistas
deixavam aprisionadas flores secas.
É assim que permanecem, na memória,
aqueles dias que passamos juntos.
Talvez ainda voltes com ela ao Terramar,
diz o espelho azul do horizonte.
Os velhos não buscamos a verdade.
Toda certeza é uma ferida inútil.

Trad.: Nelson Santander

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Pasando Ante El Terramar

Sitges, años sesenta: el viejo hotel lujoso
donde escribí mi libro Mar de invierno.

Treinta años después, cuando faltaba poco
para su muerte, regresé con ella:
ya estaba despintado, las barandas
roídas por el mar, y la moqueta
gastada en los lugares de más tránsito.

En cambio, la vidriera era la misma
en las habitaciones, suntuosas todavía:
separaba el salón del dormitorio,
hecha de vidrios dobles opalinos
entre los que los modernistas
dejaban apresadas flores secas.
Así, en mi memoria, permanecen
aquellos días que vivimos juntos.
Quizá vuelvas con ella al Terramar,
dice el espejo azul del horizonte.
Los viejos no buscamos la verdad.
Toda certeza es una herida inútil.

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