Jaan Kaplinski – [A roupa nunca acaba de ser lavada]

Jaan Kaplinski – [A roupa nunca acaba de ser lavada]

A roupa nunca acaba de ser lavada.
A fornalha nunca acaba de ser aquecida.
Os livros nunca acabam de ser lidos.
A vida nunca fica pronta.
A vida é como uma bola que é preciso
apanhar e rebater a tempo para que não caia.
Quando a cerca está consertada numa das pontas,
já está ruindo na outra. O telhado goteja,
a porta da cozinha não fecha, há rachaduras nos alicerces,
os joelhos rasgados das calças das crianças…
Não conseguimos sequer lembrar de tudo. É uma maravilha
que, em meio a tudo isso, ainda se consiga notar
a primavera, tão plena de tudo,
espalhando-se por toda parte — nas nuvens do entardecer,
no canto do tordo-ruivo e em cada
gota de orvalho em cada folha de grama no prado,
até onde o olhar se perde no crepúsculo.

Trad.: Nelson Santander, a partir da versão em inglês vertida do estoniano por  Jaan Kaplinski, Sam Hamill and Riina Tamm

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The washing never gets done

The washing never gets done.
The furnace never gets heated.
Books never get read.
Life is never completed.
Life is like a ball which one must continually
catch and hit so that it won’t fall.
When the fence is repaired at one end,
it collapses at the other. The roof leaks,
the kitchen door won’t close, there are cracks in the foundation,
the torn knees of children’s pants …
One can’t keep everything in mind. The wonder is
that beside all this one can notice
the spring which is so full of everything
continuing in all directions – into evening clouds,
into the redwing’s song and into every
drop of dew on every blade of grass in the meadow,
as far as the eye can see, into the dusk.

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2 respostas a “Jaan Kaplinski – [A roupa nunca acaba de ser lavada]”

  1. Interessante o poema, só vale corrigir no segundo verso: “A fornalha…”.

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