Gjertrud Schnackenberg – 1. Tirando o pó

Gjertrud Schnackenberg – 1. Tirando o pó

Um círculo se abre sob meu pano, os anos
De poeira esfregados das vidraças onduladas.
Fragmentos de planetas, estrelas extintas se espalham,
Poeira de globos remotos do universo
Cai em nossos armários, acumula-se suave nos cantos,
Rodopia nos raios de sol em direção às caixas por desempacotar,
Ao redor dos relógios e espelhos sob os lençóis;
As nuvens que sacudo dos tapetes a restituem,

As crianças colam estrelas de papel na porta.
Com pegadas molhadas desaparecendo no corredor,
Velhos papéis de parede que desvelam rostos,
A voz da torneira, o grito assustado do assoalho
Sob meu calcanhar, que fantasma responde
Pela respiração nos cômodos, pelas lágrimas claras escorrendo
Pelas vidraças, que fantasmas? Considero até
a maçaneta da porta em minha mão entre os vivos.

Trad.: Nelson Santander

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1. Dusting

A circle widens beneath my cloth, the years
Of dust rubbed from the wavy windowpanes.
Bits of planets, burst stars have sifted down,
Dust from remote globes of the universe
Drops in our closets, piles in corners softly,
Swirls in sunrays toward boxes we’ll unpack,
Around the clocks and mirrors under sheets;
The clouds I shake from carpets give it back,

The children paste paper stars upon the door.
With wet footprints disappearing in the hall,
Old wallpaper designs disclosing faces,
The faucet’s voice, the floorboard’s startled cry
Under my heel, what ghost is it accounts
For breath in the rooms, pale tears coursing
The windowpanes, what ghosts? I count even
The doorknob in my hand among the living.

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