Eles vão remover de você todos os meus beijos e impressões digitais
e minhas manchas de lágrimas — eu era mais propensa a chorar
naqueles dias agrestes de alho silvestre — e nossas manchas mais felizes,
finas escamas de uma seda quase de papel… Foda-se essa abertura
barata; e falsa também — quaisquer desses vestígios
você os apagou à pedra-pomes, anos atrás,
quando devolveu minhas cartas, na semana em que me casei
com aquele tosco tagarela. Então, começo de novo. Então:
eles vão remover os tubos e soros e curativos
que censuro dos meus sonhos. É verdade, eles vão
lavar você; e vão colocar você numa caixa.
Depois disso, o que quer que façam
não fará diferença. Esse é o meu estilo lacônico.
Você o elogiava, assim como eu elogiava seus intrincados bordados
de pérolas, esses laços nos entrelaçaram,
ponto meia e tricô nas costelas do mundo.
Trad.: Nelson Santander
Poem Ended by a Death
They will wash all my kisses and fingerprints off you
and my tearstains – I was more inclined to weep
in those wild-garlicky days – and our happier stains,
thin scales of papery silk. . .Fuck that for a cheap
opener; and false too – any such traces
you pumiced away yourself, those years ago
when you sent my letters back, in the week I married
that anecdotal ape. So start again. So:
They will remove the tubes and drips and dressings
which I censor from my dream. They will, it is true,
wash you; and they will put you into a box.
After which whatever else they may do
won’t matter. This is my laconic style.
You praised it, as I praised your intricate pearled
embroideries, these links laced us together,
plain and purl across the ribs of the world.

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