Miguel Arteche – Eu sei que nesta lâmpada apareces

Miguel Arteche – Eu sei que nesta lâmpada apareces

Eu sei que nesta lâmpada apareces
e na cinza deste cigarro aceso,
e no copo, talvez; me sento, escrevo,
me ouves, viajo, volto a outros meses.

e aqui, sob a lâmpada, entre os esses
da solidão sem fim, segues vivo,
meu morto, meu sem mais, adeus e amigo,
e sobre este papel desapareces.

Voltei de novo ao teu ontem: me chamas:
ouço tua voz de morto nesta fita,
nesta fita que jamais se detém

nesta casa escura escura casa
e nesta negra tinta negra tinta
e nestas brancas têmporas também.

Trad.: Nelson Santander

Yo sé que en esta lámpara apareces

Yo sé que en esta lámpara apareces
y en la ceniza de este cigarrillo,
y en el vaso, tal vez: me siento, escribo,
me oyes, y viajo, y vuelvo hacia otros meses.

y aqui, bajo la lámpara, en las eses
de soledad sin siempre sigues vivo,
mi muerto, mi sin más, mi adiós, mi amigo,
y sobre este papel desapareces.

Volvi de nuevo hacia tu ayer: me llamas:
oigo tu voz de muerto en esa cinta,
la cinta que ya nunca se detiene

en esa casa oscura oscura casa
y en esta negra tinta negra tinta
y en estas blancas sienes blancas sienes.

Visualizações: 25

Receba novos poemas no seu e-mail

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *