Joan Margarit – Oceano Atlântico, 1956

Preferia o mercante, sua solidão. Estava
envolto em silêncio. Parecia
que navegava sem tripulação,
e que o mar era um navio,
maior ainda, de mármore, que o balançava.
Era maravilhoso subir ao convés,
entre caixas de bananas: o peso delas
afundava o navio até a linha d’água
em meio às ondas como montanhas.
O navio, às vezes, adernava:
parecia atender a alguma voz do mar.
Havia um camarote
com uma grande cama de metal e uma mesa,
ambas muito bem fixadas no chão.
Como minha alma na morte de minha filha.
É o que estou dizendo. E também que daria meus olhos
para empreender a viagem de volta com ela.

Trad.: Nelson Santander

OCÉANO ATLÁNTICO, 1956

Prefería el mercante, su soledad. Estaba
envuelto en el silencio. Parecía
que navegaba sin tripulación,
y que el mar era un barco,
mayor aún, de mármol, que lo balanceaba.
Era maravilloso salir a la cubierta,
entre cajas de plátanos: su peso
hundía el barco hasta la misma línea
de flotación, en medio de las olas como montes.
El mercante, a veces, se escoraba:
parecía atender alguna voz del mar.
Tenía un camarote
con una cama grande de metal y una mesa,
las dos muy bien clavadas en el suelo.
Como mi alma a la muerte de mi hija.
Eso digo. Y también que daría mis ojos
por emprender el viaje de retorno con ella.

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