Joan Margarit – Sant Just, 2 de março de 2001

Suavemente, as rodas da cadeira
te levam para casa. As nuvens violáceas
acumulam-se atrás dos telhados.
Todas te dizem coisas: tu, tímida, respondes
sorrindo, mas às vezes
com um vazio dentro dos olhos
que reflete a luz da tempestade.

E a chuva começa a falar contigo
como uma mãe perigosa e acolhedora,
pedindo de longe que regresses.
Buscas — molhada, absorta — no umbral
os anos sob o abrigo da casa.
Nossa vida jamais regressará.
Deslizaremos juntos pelo pátio,
límpida chuva de olvido,
como folhas em um curso d’água.

Trad.: Nelson Santander

SANT JUST, 2 DE MARZO DE 2001

Con suavidad, las ruedas de la silla
te llevan hacia casa. Las nubes violáceas
se amontonan detrás de los tejados.
Todos te dicen cosas: tú, tímida, contestas
sonriente, pero a veces
con un vacío dentro de los ojos
que refleja la luz de la tormenta.

Y la lluvia comienza a hablar contigo
como una madre peligrosa y cálida,
pidiendo desde lejos que regreses.
Buscas —mojada, absorta— en el umbral
los años al amparo de la casa.
Nuestra vida jamás regresará.
Resbalaremos juntos por el patio,
limpia lluvia de olvido,
como briznas en un reguero de agua.

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