Joan Margarit – Dignidade

Se a desesperança
tem o poder de uma certeza lógica,
e a inveja uma programação tão secreta
quanto um trem militar,
já estamos condenados.
O castelhano me sufoca, embora nunca o tenha odiado.
Ele não é culpado por sua força
e muito menos por minha fraqueza.
Ele foi, ontem, um idioma bem articulado
para pensar, negociar, sonhar,
que já ninguém mais fala: um subconsciente
de perdas e ambições
onde soam belíssimas canções.
O presente é o idioma das ruas,
maltratado e espúrio, que se agarra
feito hera às ruínas da história.
O idioma em que escrevo.
Também é um idioma bem articulado
para pensar, negociar. Para sonhar.
E as velhas canções
se salvarão.

Trad.: Nelson Santander

Dignidad

Si la desesperanza
tiene el poder de una certeza lógica,
y la envidia un horario tan secreto
como un tren militar,
estamos ya perdidos.
Me ahoga el castellano, aunque nunca lo odié.
Él no tiene la culpa de su fuerza
y menos todavía de mi debilidad.
El ayer fue una lengua bien trabada
para pensar, pactar, soñar,
que no habla nadie ya: un subconsciente
de pérdida y codicia
donde suenan bellísimas canciones.
El presente es la lengua de las calles,
maltratada y espuria, que se agarra
como hiedra a las ruinas de la historia.
La lengua en la que escribo.
También es una lengua bien trabada
para pensar, pactar. Para soñar.
Y las viejas canciones
se salvarán.

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