Andrew Hudgins – No poço

Meu pai amarrou em mim uma corda,
um laço ao redor da minha cintura,
e baixou-me para o fundo e dentro
das trevas. Eu sentia a paúra,

seu gosto. Primeiro foi um sabor
de noite, então terra, e podridão.
Balancei e bati com a cabeça
e foi naquele momento que, então,

conheci um outro: então o sangue
pôs-me na boca um sabor de metal.
A partir de então, meu pai me soltou
gradativamente, mão após mão:

então água. Então pelo molhado,
que apertei junto ao peito. Eu gritei.
Papai puxou a corda encharcada
com força. Engasguei, e pressionei

contra mim o cão perdido do meu
vizinho. Abracei sua extinção
e emergi em direção ao meu pai.
Então luz. Então mãos. E ar então.

Trad.: Nelson Santander

In the well

My father cinched the rope,
a noose around my waist,
and lowered me into
the darkness. I could taste

my fear. It tasted first
of dark, then earth, then rot.
I swung and struck my head
and at that moment got

another then: then blood,
which spiked my mouth with iron.
Hand over hand, my father
dropped me from then to then:

then water. Then wet fur,
which I hugged to my chest.
I shouted. Daddy hauled
the wet rope. I gagged, and pressed

my neighbor’s missing dog
against me. I held its death
and rose up to my father.
Then light. Then hands. Then breath.

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