Jane Kenyon – A tigela azul

Como primitivos, enterramos o gato
com seu prato. Com as mãos nuas
raspamos areia e cascalho
de volta para o buraco.
               Caíram com um silvo
e um baque ao lado dele,
em seu longo pelo vermelho, o branco pelame
entre seus dedos, e seu
longo, para não dizer aquilino, nariz.

Nós nos levantamos e nos afastamos um do outro.
Existem dores mais agudas do que esta.

Em silêncio o resto do dia, nós trabalhamos,
comemos, contemplamos, e dormimos. Choveu forte
a noite toda; agora clareou, e um tordo
gorjeia de um arbusto gotejante
como um vizinho que tem boas intenções
mas sempre diz a coisa errada.

Trad.: Nelson Santander

The Blue Bowl

Like primitives we buried the cat
with his bowl. Bare-handed
we scraped sand and gravel
back into the hole.
               They fell with a hiss
and thud on his side,
on his long red fur, the white feathers
between his toes, and his
long, not to say aquiline, nose.

We stood and brushed each other off.
There are sorrows keener than these.

Silent the rest of the day, we worked,
ate, stared, and slept. It stormed
all night; now it clears, and a robin
burbles from a dripping bush
like the neighbor who means well
but always says the wrong thing.

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