Pedro Salinas – Não quero que te vás

Pedro Salinas – Não quero que te vás

Não quero que te vás,
dor, última forma
de amar. Sinto-me vivo
quando me dóis,
não em ti, nem aqui,
mais longe: na terra, no ano
de onde tu vens,
no amor com ela
e tudo o que foi.
Nessa realidade
submersa que se nega
a si mesma e insiste
em nunca ter existido,
que foi apenas um pretexto
que encontrei para viver.
Se tu não me restasses,
ó dor irrefutável,
até creria nisso;
mas és o que me resta.
Tua verdade me assegura
que nada foi mentira.
E enquanto eu te sentir,
Tu serás pra mim, dor,
a prova de outra vida
em que não me doías.
A prova indiscutível, ao longe,
De que existiu, que existe,
De que ela me amou,
Sim, de que ainda a amo.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 15/10/2017

Pedro Salinas – No quiero que te vayas

No quiero que te vayas
dolor, última forma
de amar. Me estoy sintiendo
vivir cuando me dueles
no en ti, ni aquí, más lejos:
en la tierra, en el año
de donde vienes tú,
en el amor con ella
y todo lo que fue.
En esa realidad
hundida que se niega
a sí misma y se empeña
en que nunca ha existido,
que sólo fue un pretexto
mío para vivir.
Si tú no me quedaras,
dolor, irrefutable,
yo me lo creería;
pero me quedas tú.
Tu verdad me asegura
que nada fue mentira.
Y mientras yo te sienta,
tú me serás, dolor,
la prueba de otra vida
en que no me dolías.
La gran prueba, a lo lejos,
de que existió, que existe,
de que me quiso, sí,
de que aún la estoy queriendo.

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