Stephen Dunn – Bank Street

Stephen Dunn – Bank Street

Em seu apartamento de um cômodo,
anos antes de as coisas
que viriam a possuir
os possuírem,

o sofá servia de cama,
a pequena escrivaninha
integrava uma divisória
sobre a qual um toca-discos reproduzia
a música que eles mal ouviam
enquanto faziam amor.

Na cozinha: cozinheiro e barata
disputavam espaço.
A pequena geladeira zumbia.

Sem sofá. Sem divã. Sem a gramática
dos que se estabeleceram.
Nenhuma cristaleira com pratos de cerâmica
para ocasiões especiais.

Apenas paixão noite após noite,
discussões, concessões tumultuosas.
Era insuportável. Estavam descobrindo
se conseguiriam suportar.
Tudo o que era quase deles
ao alcance.

Trad.: Nelson Santander

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Bank Street

In their one-room apartment
years before the things
they’d come to own
owned them,

the couch doubled as a bed,
the small desk
was part of a room divider
on which a turntable spun
the music they’d half-hear
while making love.

In the kitchen: cook and cockroach
fought for space.
The little refrigerator would hum.

No settee. No divan. No language
of the settled.
No glass case with stoneware plates
for special occasions.

Just passion every night,
arguments, tumultuous accommodations.
It was unbearable. They were learning
if they could bear it.
Everything that was almost theirs
within reach.

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