Em algum lugar do mundo
algo está acontecendo que
chegará lentamente até aqui.
Uma frente fria virá destruir
as camélias, ou talvez será
uma onda de calor que as queime.
Um vírus viajará sem passaporte
ou documentos para me encontrar enquanto
aperto outra mão ou beijo um rosto.
Em algum lugar, uma pequena discussão
teve início, umas poucas palavras acaloradas
provocam um grande incêndio,
e o cheiro de fumaça
está a caminho;
o cheiro da guerra.
Onde quer que eu vá, bato na madeira —
em tampos de mesas ou troncos de árvores.
Lavo minhas mãos repetidamente.
Examino os jornais
e invento códigos de alarme que não sejam
a data de nascimento do meu marido nem a minha.
Mas em algum lugar algo está acontecendo
contra o qual não há planejamento possível, apenas
aquelas duas velhas conspiradoras: Esperança e Sorte.
N. do T.: Poema publicado na edição de outono de 2007 da Michigan Quarterly Review, disponível no arquivo digital da revista.
Trad.: Nelson Santander
Somewhere in the World
Somewhere in the world
something is happening
which will make its slow way here.
A cold front will come to destroy
the camellias, or perhaps it will be
a heat wave to scorch them.
A virus will move without passport
or papers to find me as I shake
a hand or kiss a cheek.
Somewhere a small quarrel
has begun, a few overheated words
ignite a conflagration,
and the smell of smoke
is on its way;
the smell of war.
Wherever I go I knock on wood—
on tabletops or tree trunks.
I rinse my hands over and over again.
I scan the newspapers
and invent alarm codes which are not
my husband’s birth date or my own.
But somewhere something is happening
against which there is no planning, only
those two aging conspirators, Hope and Luck.

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