Joseph Stroud – Primeira Canção

Aquela distante manhã na fazenda da Ruth
em que me escondi entre as glicínias
e observei os beija-flores. Eu achava
que o rubi ou o ouro que brilhavam em seus pescoços
fossem o sangue adocicado das flores.
Eles metiam seus bicos perfurantes
em uma coroa de pétalas até suas cabeças
desaparecerem. As flores se esbatiam ao vento,
e a respiração que eu ouvia
vinha das finas hastes das glicínias em movimento.
Naquela noite, meu rosto pressionado contra a vidraça,
eu olhei para fora, para a escuridão
onde a lua se afogava nos salgueiros
perto da lagoa. Meu coração, sanguíneo jaspe,
se transformou. Aquela longa noite, a fazenda,
aqueles rútilos pássaros, todos esses anos idos.
Os cavalos em pé quietos e enormes
sob a lua trespassada de escuridão.

Trad.: Nelson Santander

First Song

That long-ago morning at Ruth’s farm
when I hid in the wisteria
and watched hummingbirds. I thought
the ruby or gold that gleamed on their throats
was the honeyed blood of flowers.
They would stick their piercing beaks
into a crown of petals until their heads
disappeared. The blossoms blurred into wings,
and the breathing I heard
was the thin, moving stems of wisteria.
That night, my face pressed against the window,
I looked out into the dark
where the moon drowned in the willows
by the pond. My heart, bloodstone,
turned. That long night, the farm,
those jeweled birds, all these gone years.
The horses standing quiet and huge
in the moon-crossing blackness.

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