Enquanto caminhava pela floresta ao amanhecer,
em maio, eu ia perguntando: onde estão vocês, almas
dos mortos? Onde estão vocês, os que desapareceram
jovens, onde estão vocês,
os inteiramente transfigurados?
Um grande silêncio reinava na floresta,
e eu ouvia as folhas verdes sonharem,
ouvia o sonho da casca, de que surgirão
barcos, navios e velas.
Depois, pouco a pouco, foram-se juntando os pássaros —
pintassilgos, tordos, melros —
nas varandas dos galhos; cada um falava
de outro modo, com outra voz, sem pedir nada,
sem amargura nem pesar.
E compreendi: vocês estão no canto,
inapreensíveis como a música, indiferentes como
as notas, distantes de nós
como nós de nós mesmos.
Trad.: Nelson Santander a partir da versão do poema em inglês traduzido por Clare Cavanagh
In May
As I walked at dawn in the forest,
in May, I kept asking where you are, souls
of the dead. Where are you, the young ones
who are missing, where are you,
the completely transformed?
Great stillness reigned in the forest,
and I heard the green leaves dream,
I heard the dream of the bark from which
boats, ships, and sails will arise.
Then, slowly, birds joined in,
goldfinches, thrushes, blackbirds
on the balconies of branches, each of them spoke
differently, in his own voice, not asking for anything,
with no bitterness or regret.
And I realized you are in singing,
unseizable as music, indifferent as
musical notes, distant from us
as we are from ourselves.

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