Joan Margarit – Recolhimentos

Joan Margarit – Recolhimentos

Antes, mesmo em meio ao estrépito,
eu conseguia me concentrar num poema.
Agora acho bem mais difícil.
Não estou cansado de viver: estou
de tantas vozes que ao meu redor
ressoam vazias.
Sei onde ainda está a alegria:
se nunca me escapou um paraíso,
não me escapará este, o mais austero,
aquele onde no poema mal
resta um traço de literatura.
Reconheço o lugar, é o mesmo de sempre.
O último refúgio: o da solidão.

Trad.: Nelson Santander

Se este espaço lhe é valioso, considere apoiar o site iniciando suas compras pela Amazon através deste link — você não paga nada a mais, e ajuda a manter a poesia viva.

Retiradas

Antes, incluso en medio de un estrépito,
podía concentrarme en un poema.
Ahora me resulta más difícil.
No estoy cansado de vivir: lo estoy
de tantas voces que a mi alrededor
resuenan huecas.
Sé dónde continúa la alegría:
si nunca me he perdido un paraíso,
no iré a perderme ahora el más austero,
ese donde al poema no le queda
apenas rastro de literatura.
Reconozco el lugar, es el mismo de siempre.
El último refugio, el de la soledad.

Visualizações: 46

Receba novos poemas no seu e-mail

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *