Susan Mitchell – Os mortos

À noite, os mortos descem até o rio para beber.
Eles desabafam sobre seus medos e suas preocupações
por nós. Eles sacam as velhas fotografias.
Dão tapinhas nas linhas de nossas mãos e leem os nossos futuros,
rachados e amarelados.
Alguns mortos encontram o caminho para as nossas casas.
Eles vão até o sótão.
Eles leem as cartas que nos mandaram, insaciáveis
por sinais de amor.
Eles contam histórias uns para os outros.
Eles fazem tanto barulho
que nos acordam
como quando éramos crianças e eles ficavam acordados
bebendo a noite toda na cozinha.

Trad.: Nelson Santander

The Dead

At night the dead come down to the river to drink.
They unburden themselves of their fears,
their worries for us. They take out the old photographs.
They pat the lines in our hands and tell our futures,
which are cracked and yellow.
Some dead find their way to our houses.
They go up to the attics.
They read the letters they sent us, insatiable
for signs of their love.
They tell each other stories.
They make so much noise
they wake us
as they did when we were children and they stayed up
drinking all night in the kitchen.

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