Brian Turner – Quão brilhante é abril

E o ar, seco,
Como as costas de um búfalo.

Gafanhotos riscam a terra,
friccionam as asas com suas pernas finas,
crestando na frente dos soldados,
voando baixo, em arco, as asas só um borrão.

Os soldados já não percebem,
veem apenas os escombros das ruas,
corpos cobertos com lençóis, e o sol,
o quão brilhante e duro e plano e claro ele é.

Serão necessários muitos pregos dos fabricantes de caixões
para apagar essa luz, que em tudo se reflete:
nos pés calejados dos mortos, em suas mãos esqueléticas,
em suas pálidas frontes tão frias e brilhantes ao sol.

Trad.: Nelson Santander

How Bright It Is April

And the air dry
As the shoulders of a water buffalo.

Grasshoppers scratch at the dirt,
rub their wings with thin legs
flaring out in front of the soldiers
in low arcing flights, wings a blur.

The soldiers don’t notice anymore,
seeing only the wreckage of the streets,
bodies draped with sheets, and the sun,
how bright it is, how hard and flat and white.

It will take many nails from the coffinmakers
to shut out this light, which reflects off everything:
the calloused feet of the dead, their bony hands,
their pale foreheads so cold, brilliant in the sun.

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