Mariposas sobre a terra revolvida
Antes dos mortos, vieram as máquinas. No alto da estrada onde Simon Armitage vive, nas proximidades de Huddersfield, uma série de campos de pastagem começou a ser cortada por escavadeiras, ruas de asfalto, estacionamentos e lotes numerados. O poder público pretendia transformar aquela faixa de terreno, situada entre a cidade pós-industrial e as elevações dos Peninos, em um novo cemitério.
Parte da vizinhança recebeu a notícia com inquietação. Os moradores não queriam o transtorno das obras, a alteração da paisagem nem, provavelmente, a ideia de viver tão perto dos mortos. Armitage, depois de considerar a possibilidade de protestar, decidiu não se opor. Como escritor, apreciava o silêncio. Além disso, uma campanha bem-sucedida contra o cemitério poderia abrir caminho para que o terreno fosse destinado a um parque industrial, a um aterro sanitário ou a algum empreendimento mais ruidoso e agressivo. Uma vez instalados ali, pensou ele, os mortos dificilmente seriam removidos para dar lugar a outra coisa. Assim, fez as pazes com a futura presença deles.
Embora não esteja distante do centro de Huddersfield, o lugar é cercado por uma paisagem ainda semirrural, com os páramos dos Peninos ao fundo e uma vista ampla sobre vilarejos e colinas de West Yorkshire. Ao redor do horizonte, as luzes de Leeds, Manchester, Bradford e Sheffield produzem falsas auroras e crepúsculos artificiais, tingindo de laranja sujo as bordas da noite. Essa convivência entre campo e cidade, natureza e infraestrutura, passado industrial e presente urbano atravessa toda a paisagem de New Cemetery.
Um dos caminhos percorridos quase diariamente por Armitage acompanha a divisa do terreno. Durante meses, ele observou sua transformação: primeiro, a abertura da via principal e das avenidas secundárias; depois, os caminhos internos, os estacionamentos, os portões e as instalações de apoio. Por fim, chegaram os primeiros ocupantes. O que fora um canteiro de obras lamacento tornou-se um cemitério em pleno funcionamento, com lápides distribuídas pelas curvas do terreno, gramados aparados e visitantes prestando suas homenagens ao longo do dia.
O cemitério era, ao mesmo tempo, uma obra pública, uma paisagem em formação e uma espécie de relógio. Cada nova sepultura alterava o espaço e tornava visível uma passagem que normalmente procuramos manter fora do campo de visão. Os mortos começavam a ocupar o solo enquanto a vida cotidiana prosseguia ao redor: pessoas caminhavam com seus cães, aprendiam a dirigir, encontravam-se às escondidas ou apenas atravessavam o lugar em seus percursos habituais.
Durante os períodos de confinamento da pandemia de Covid-19, quando caminhar nas proximidades de casa era uma das poucas atividades externas permitidas, o cemitério se converteu num barômetro cotidiano da crise. Fitas de isolamento, máscaras, ambulâncias, cerimônias com participantes distanciados e coveiros protegidos por trajes sanitários passaram a integrar a paisagem. O que acontecia ali, diante das covas abertas, tornava visível uma catástrofe que, em muitos outros lugares, permanecia encerrada atrás de portas e janelas.
Armitage não planejara escrever poemas sobre o cemitério — muito menos uma série inteira. Os primeiros textos surgiram isoladamente. Quando quatro ou cinco já haviam tomado forma, porém, começaram a sugerir um caminho comum, tanto pelos temas que abordavam quanto pela estrutura que espontaneamente compartilhavam.
São poemas construídos em tercetos de versos curtos, atravessados por rimas e meias-rimas intermitentes. Em contraste com os projetos extensos e as traduções de grande escala aos quais Armitage se dedicara nos anos anteriores, escrevê-los lhe parecia uma atividade delicada e manual, semelhante a entrelaçar uma corrente de margaridas ou enfiar pequenas conchas em um fio.
A brevidade correspondia também ao movimento de suas caminhadas. As estrofes avançam em pequenas unidades: algumas palavras, uma pausa, mais alguns passos. A contenção não elimina o vigor das imagens. Ao contrário, concentra-o. Uma máquina de lavar pode se transformar num mar revolto; um coveiro vestido com equipamentos de proteção, num astronauta; antigas linhas ferroviárias, em cicatrizes que atravessam um campo de trigo.
Os poemas inicialmente não tinham títulos. O nome geral da coleção parecia oferecer contexto suficiente, e títulos individuais poderiam tornar aquelas estruturas esqueléticas pesadas demais, tanto visual quanto emocionalmente. A solução surgiu durante algumas caminhadas noturnas ao redor do cemitério.
Perto das lápides, Armitage observou mariposas atravessando a luz das velas, lanternas e bastões luminosos deixados pelos visitantes. A maioria desses insetos tem hábitos noturnos. Algumas espécies ostentam cores e desenhos exuberantes; muitas outras parecem, à primeira vista, pardas, cinzentas e discretas. Vistas de perto, porém, suas asas revelam arranjos de enorme complexidade: linhas, manchas e simetrias que lembram alfabetos codificados, pictogramas ou mensagens indecifráveis.
Havia algo perturbador naquela aparição. As mariposas chamavam a atenção não apenas por estarem presentes, mas principalmente por serem poucas. Como espécies indicadoras, elas testemunham a saúde das populações de insetos e, de maneira mais ampla, as condições do ambiente. Sua escassez anuncia uma deterioração silenciosa. As noites em que para-brisas e pontos de luz se enchiam de pequenos seres parecem pertencer a outro tempo.
Se os poemas de New Cemetery se ocupam da mortalidade humana, as mariposas introduzem outra forma de desaparecimento: aquela que se espalha pelo mundo natural. Seus nomes aparecem no lugar tradicionalmente reservado aos títulos, mas Armitage não os oferece como chaves explicativas. A relação entre determinada espécie e o assunto do poema que a acompanha pode ser ambígua, acidental ou praticamente inexistente.
Esses nomes funcionam, antes, como dedicatórias. Cada poema honra e recorda uma mariposa, assim como cada túmulo honra e recorda uma pessoa. Por isso, os nomes das espécies foram mantidos nesta tradução entre colchetes e não devem ser lidos como títulos convencionais.
A aproximação entre os insetos e os poemas está inscrita também na forma. Na imaginação de Armitage, cada terceto pode ser visto como uma pequena mariposa: dois de seus elementos formam as asas e o terceiro constitui o corpo. Há algo intencionalmente frágil, diminuto e semelhante a esses insetos na construção e no desenho dos textos. As estrofes parecem criaturas pousadas sobre a página, sustentadas por poucas palavras e sempre prestes a levantar voo.
Os poemas desta seleção percorrem diferentes escalas da finitude. A escuridão apaga montanhas e galáxias; fragmentos do corpo tornam-se provas provisórias de que ainda estamos vivos; uma mãe retira roupas da máquina de lavar como se resgatasse náufragos; uma raposa é devolvida à terra; antigos vestígios industriais permanecem sob a vegetação; o mundo deixa o confinamento usando um sorriso nervoso. O cemitério aparece como obra em construção, espaço de passagem, teatro da pandemia e vizinhança definitiva.
O tom muda frequentemente da gravidade para a irreverência. O universo é tratado como um adversário presunçoso. As ruas recém-asfaltadas do cemitério são ocupadas por passeadores de cães, amantes clandestinos e motoristas inexperientes. A pessoa mais velha do mundo se apresenta como responsável pela morte de todos os que estavam vivos quando ela nasceu. Esse humor não diminui o luto. Impede, antes, que a solenidade transforme a morte numa abstração confortável.
Em New Cemetery, a paisagem conserva vestígios de tudo o que tentou apagar. Trilhos antigos permanecem como cicatrizes sob o trigo; fundações industriais sobrevivem entre plantas invasoras; as pedras são lavadas pela chuva; os dias terminam; os corpos desaparecem. Ainda assim, aqueles que já não podem amar continuam capazes de ser amados.
Os poemas formam, assim, um pequeno cemitério dentro do cemitério: um lugar para os mortos humanos e outro para as formas de vida que se tornam escassas. Entre ambos caminham a memória, a linguagem e o olhar do poeta. Cada terceto, com suas duas asas de palavras e seu corpo estreito, sustenta por alguns instantes uma criatura frágil. Os poemas não oferecem consolo definitivo. Oferecem algo mais modesto e talvez mais duradouro: atenção.
Simon Armitage nasceu em 1963, em Marsden, nos arredores de Huddersfield, no norte da Inglaterra. Antes de se dedicar integralmente à literatura, trabalhou como agente de liberdade condicional, experiência que contribuiu para sua atenção às vozes, aos conflitos e aos personagens da vida cotidiana. Estreou com Zoom! e se tornou um dos nomes centrais da poesia britânica contemporânea. Entre seus livros mais conhecidos estão Kid, The Dead Sea Poems, The Universal Home Doctor, Seeing Stars, The Unaccompanied e Magnetic Field: The Marsden Poems. É também autor de ensaios, relatos de viagem, peças e romances, além de reconhecido tradutor da poesia medieval inglesa, com versões de Sir Gawain and the Green Knight, The Death of King Arthur e Pearl. Professor de Poesia da Universidade de Oxford entre 2015 e 2019, foi nomeado Poeta Laureado do Reino Unido em 2019. Sua obra combina linguagem coloquial, humor seco, precisão formal e uma atenção persistente às paisagens urbanas, industriais e rurais do norte inglês.

[False Mocha]
Desce a escuridão,
eu diria,
desajeitada,
tropeçando por vielas
e atalhos,
disparando o alarme de carro
do último noitibó.
Retalhos de crepúsculo
chegam por via aérea
e são escorados
contra marcos locais,
uns ao contrário,
outros fora de prumo.
A penumbra, mal encenada, espreita
dos bosques e matagais.
Mas de repente
tudo fica implacavelmente negro
e nada mais,
todos os antes
vazios e sem sentido,
o apuro
das montanhas perdidas
e das galáxias sumidas
é mais do que grave.

[Speckled Yellow]
Caro universo,
fiz a barba esta manhã —
veja estes
pequenos pontos pretos
constelados
na pia branca.
A lua nova
desta apara de unha
prova que estou vivo,
e a cada dois meses
minha franja torna a crescer.
Universo, é contra você
que me meço:
as leis da termodinâmica
convocam meus átomos quentes
para o espaço profundo,
mas por ora
ergo
este fio de cabelo, estes pelos,
este dedo do meio
bem na sua cara convencida

[Campion]
A janela da cozinha
aflita de vapor —
minha mãe junto à lavadora de cuba dupla
maltratando camisas,
içando marinheiros que se afogam
do mar para o convés.

[Orange Footman]
Fim de maio, o cemitério se adensa
em luz âmbar, o ar
marmoreado de calor.
Túmulos como cadeiras de praia,
todos voltados para o sul. Acima
do lento redemoinho
da cidade,
encaro
o histriônico espetáculo
do sol que afunda.
E assim,
mais um dia chega ao fim.

[Figure of Eight]
Quando enterrei a raposa,
a vala que cavei
não era comprida o bastante;
retornei lá
na semana seguinte
para erguer a placa de grama
e ajeitar lá dentro a cauda,
para distinguir
o solo do pelo.
Junto à porteira de cinco travessas
meu pai, Hughes
e Deus Todo-Poderoso
só arrastavam os pés por ali,
mãos nos bolsos,
bocas fechadas, me observando
calcar a terra
sobre a cova,
enquanto as entranhas liquefeitas
e as crias apodrecidas
ondulavam e escorriam
sob a terra solta

[Clouded Buff]
O novo cemitério vai tomando forma.
Um pórtico funerário de pedra serve
também de abrigo para lixeiras e bloco sanitário.
Os que partiram ainda estão por chegar,
por isso os lotes numerados jazem intocados,
mas as vias já estão traçadas:
avenidas de asfalto virgem
que levam a rotatórias de retorno e ruas sem saída.
E não há cancela,
por isso, dia e noite, o terreno pulula de pessoas
passeando com cães, adúlteros
e motoristas aprendizes.

[Maiden’s Blush]
Nunca cheguei a identificar
a mariposa ou borboleta
quase branca
no novo cemitério
esvoaçando de túmulo em túmulo,
sua trajetória
uma espiral frenética
de meneios e fintas
sob um céu feito às pressas.
E jamais decifrei
a mulher descalça
de pijama prateado,
saltitando de lápide
em lápide
em guinadas fechadas,
voejando
entre flores de plástico
e anjos de concreto.

[Clouded Brindle]
Então o novo cemitério
agora está interditado:
a entrada envolta
numa hélice listrada
de fita de isolamento,
corrente e cadeado
cingindo o portão.
Passamos devagar
por uma trilha que serpenteia
a cerca viva de espinheiro,
trocamos olhares
com o astronauta
num traje de proteção,
com viseira e máscara
e sobrebotas
e luvas brancas de couro,
escorado na pá
à beira de uma cova aberta.
O universo,
sem fôlego e
abafado esta noite,
uma lua indiferente,
aldeias ilhadas
ao pé da colina,
um crepúsculo estagnado
que se abre para dar passagem
a uma ambulância

[White-point]
Mesmo entre o trigo alto,
uma dupla cicatriz percorre
o campo de ponta a ponta,
antigos trilhos que levam
às fundações
de galpões
e à chamuscada
base circular
de uma chaminé.
Em algum lugar, sufocada
pela hera-terrestre e pela erva-férrea,
uma placa que diz: “Pare”.

[Coxcomb Prominent]
Para onde foi o mundo?
Uma volta em torno do sol,
depois nos fez aterrissar
bem aqui,
de volta ao lugar de onde partimos,
conquistadores
das ruas comerciais e dos shoppings,
audaciosos exploradores de postos de serviço
e hipermercados,
pioneiros do novo mundo,
que é o velho mundo
de sorriso nervoso.
(Pense na
sua mão ou no seu braço
roçando
pele de verdade, imagine
inalar
um estranho.)
Primeiro contato.
Contatos imediatos. Uma almirante-vermelha boceja
e iça
suas asas recém-abertas
à aurora já plena.
Uma volta em torno do sol,
depois as portas se abrem e —
bata na madeira, cruze os dedos —
nós saímos.

[Satin Lutestring]
O horizonte
ardendo
com velozes rajadas de vento,
sombras de nuvens
como arraias
patrulhando o fundo do vale.
Lâmpadas novas por velhas,
o cemitério cravejado
de pedras lavadas,
caminhos cintilantes
empoçados
de ouro derramado.
Depois do sol,
a chuva,
depois da chuva, o sol,
assim é a vida
até que a lida
esteja concluída.

[Barberry Carpet]
Nunca houve um grande plano
para eu me tornar
a pessoa mais velha da Terra,
mas — voilà! — aqui estou.
O segredo de uma vida longa:
banhos frios,
um gole de slivovitz
toda noite antes de dormir,
sapatos de couro.
Ou às vezes digo:
sudoku, peixes gordurosos
e charutos cubanos.
Havia
bilhões de humanos
neste mundo
no dia em que nasci,
mas veja — abracadabra! —
matei todos eles.

[Feathered Footman]
O fim da manhã:
luz aquosa, ensaboada,
riscando e borrando
céus negros e frios,
o dia como um carro fúnebre
num lava-rápido,
o novo cemitério,
já assentado, respeitosamente vazio,
inteiramente cheio.
Honrados por flores ferrugentas,
os mortos, pacientemente,
matam o tempo
entre os horários de visita,
surdos, cegos, mudos
e insensíveis,
incapazes de amar
mas ainda capazes
de ser amados.
Trad.: Nelson Santander
[False Mocha]
Darkness descends,
I want to say
awkwardly,
stumbling into ginnels
and snickets,
tripping the car alarm
of the last nightjar.
Sections of dusk
are airlifted in
and propped
against local landmarks,
some back to front,
some out of kilter.
Gloom, badly acted, lurks
in the copses and thickets.
But all at once
it’s remorselessly black
and nothing else,
all beforehands
void and meaningless,
the predicament
of lost mountains
and missing galaxies
beyond serious.
[Speckled Yellow]
Dear universe,
I shaved this morning —
look at these
fine black pinpricks
constellated
in the white sink.
The new moon
of this nail clipping
proves I’m alive,
and once every couple of months
I regrow a fringe.
Universe, it’s against you
I measure myself:
the laws of thermodynamics
are calling my warm atoms
into deep space,
but for now
I’m holding
this hair, these bristles,
this middle finger
up to your smug face
[Campion]
The kitchen window
distraught with steam —
my mother at the twin-tub
manhandling shirts,
hauling drowning sailors
from sea to deck.
[Orange Footman]
Late May, the cemetery gelled
in amber light, the air
marbled with heat.
Graves like deckchairs,
all facing south. Above
the sluggish whirlpool
of the town,
I’ll stare down
the flailing histrionics
of the sinking sun.
Then that’s
another day done.
[Figure of Eight]
When I buried the vixen
the ditch I cut
wasn’t long enough;
I traipsed back
the following week
to lift the turf
and tuck in its tail,
to distinguish
soil from fur.
By the tanalised five-bar gate
my dad, Hughes
and Almighty God
just shuffled about,
hands in pockets,
mouths shut, watching me
stamp down dirt
on top of the grave
as the molten guts
and addled cubs
rippled and oozed
under loose earth
[Clouded Buff]
The new cemetery’s shaping up.
A stone-built lychgate
doubles as bin store and toilet block.
The departed are yet to arrive
so the numbered plots lie undisturbed,
but the roads are laid out:
avenues of virgin tarmac
leading to turning circles and cul-de-sacs.
And there’s no barrier,
so day and night the site crawls
with dog walkers, adulterers
and learner drivers.
[Maiden’s Blush]
I never did identify
the off-white
moth or butterfly
in the new cemetery
flitting grave to grave,
its flight path
a madcap corkscrew
of shimmies and feints
under a slapdash sky.
And never fathomed
the barefooted woman
in silver pyjamas
skittering headstone
to headstone
at hairpin angles,
winging
between plastic flowers
and concrete angels.
[Clouded Brindle]
So the new cemetery’s
now out of bounds:
entrance draped
with a candy-stripe helix
of incident tape,
chain and padlock
wreathing the gate.
We edge past
on a path that slaloms
the hawthorn hedge,
exchange stares
with the astronaut
in a hazmat suit
and visor and mask
and overshoes
and white leather gloves,
propped on his spade
at an open grave.
The universe
breathless and
muggy tonight,
a cold-blooded moon,
marooned villages
under the hill,
a stagnant dusk
that parts to allow
an ambulance through
[White-point]
Even in tall wheat
a double cicatrix runs
the length of the field,
old rail lines leading
to footings
of storage sheds
and the scorched
circular base
of a chimney stack.
Somewhere, choked
by ground ivy and self-heal,
a sign saying halt.
[Coxcomb Prominent]
Where did the world go?
Once round the sun,
then landed us
right here,
back where we started from,
conquistadores
of the high streets and malls,
bold explorers of service stations
and superstores,
pioneers of the new world,
which is the old world
wearing a nervous smile.
(Think of
your hand or arm
brushing
actual skin, imagine
breathing
a stranger in.)
First contact.
Close encounters. A Red Admiral yawns
and hoists
its just-fledged wings
to the full-blown dawn.
Once round the sun,
then the doors open and —
touch wood, cross fingers —
out we come.
[Satin Lutestring]
The horizon
smarting
from hit-and-run squalls,
shadows of clouds
like stingrays
patrolling the valley floor.
New lamps for old,
the cemetery studded
with washed stones,
shimmering causeways
puddled
with poured gold.
“After the sun
the rain,
after the rain the sun,
this is the way of life
till the work
be done.”
[Barberry Carpet]
There was never a grand plan
to become
the Earth’s oldest person,
but – hey presto! – here I am.
The key to a long life:
cold showers,
a nip of slivovitz
every night before bed,
leather shoes.
Or sometimes I say:
sudoku, oily fish
and Cuban cigars.
There were
billions of humans
in this world
the day I was born,
but look — abracadabra! —
I killed them all.
[Feathered Footman]
The end of the morning:
watery soapy light
streaking and smearing
cold black skies,
the day like a hearse
in a car wash,
the new cemetery
bedded in now, respectfully empty,
entirely full.
Honoured by rusty flowers,
the dead are patiently
killing time
between visiting hours,
deaf, blind, mute
and numb,
unable to love
but capable still
of being loved.
ARMITAGE, Simon. New Cemetery. Londres: Faber & Faber, 2025.

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