Paulo Bomfim – Soneto I

Paulo Bomfim – Soneto I

Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonias.

Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.

Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha

Onde sonham morrer os albatrozes…
Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo.

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 20/12/2016

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2 respostas a “Paulo Bomfim – Soneto I”

  1. Avatar de Verônica Guimarães Teixeira
    Verônica Guimarães Teixeira

    Lindo poema… quem não traz em si mares inavegáveis?

  2. Um dos mais profundos que já li…

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