James Wright – Taranto

James Wright – Taranto

A maior parte das paredes
Do que os italianos chamam
De cidade velha
Está manchada de sofrimento.

As sombrias cicatrizes amarelas
De gritos de tosse e catarro
Penduradas balançando no ar marítimo, filamentos
No pulmão de um velho.

Americanas e alemãs
Balas de metralhadoras
Ainda são caroços em buracos solitários
De santuários e arcos.

Falar sem parar é se tornar
Sangue no pulmão de um rapaz,
Ainda vivendo, ainda imaginando
Que diabos está acontecendo.

Mas muito antes que a cidade fosse velha, muito
Antes que os sarracenos flutuassem feito águias-pescadoras
Acima das águas e cantassem
A música da devastação.

Pitágoras caminhava por aqui sossegado
Em meio à geração ilegal
Vinda de Esparta, e Praxiteles
Deixou um atônito rosto de menina na encosta da colina

Onde não havia colinas
Apenas o mar.

Trad.: André Caramuru Aubert

Taranto

Most of the walls
In what the Italians call
The old city
Are stained with suffering.

The dull yellow scars
Of whooping cough and catarrh
Hang trembling in the sea air, filaments
In an old man’s lung.

American and German
Machine-gun bullets
Still pit the solitary hollows
Of shrines and arches.

To talk through is to become
Blood in a young man’s lung,
Still living, still wondering
What in hell is going on.

But long before the city grew old, long
Before the Saracens fluttered like ospreys
Over the waters and sang
The ruin song,

Pythagoras walked here leisurely
Among the illegal generation
From Sparta, and Praxiteles
Left an astonished girl’s face on a hillside

Where no hills were,
But the sea’s.

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